O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (3) que os americanos virem a página do escândalo de Jeffrey Epstein, após a divulgação de mais um lote de arquivos levar ao escrutínio de diversas figuras públicas que tiveram algum contato com o criminoso sexual morto em 2019.
“Nada veio à tona sobre mim além da conclusão de que foi uma conspiração contra mim, literalmente, orquestrada por Epstein e outras pessoas. Mas acho que agora é hora de o país talvez se concentrar em outra coisa, como saúde ou algo que seja importante para as pessoas”, disse o republicano.
Estima-se que o financista, uma figura da alta sociedade nova-iorquina, tenha traficado mais de mil jovens, incluindo menores de idade.
Arquivos do caso divulgados no fim de janeiro mostram que Trump foi acusado de abusar sexualmente de uma menor de idade. Segundo a denúncia, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral no republicano décadas atrás no estado de Nova Jersey.
Não há mais informações sobre o caso nem quando ele teria ocorrido. De acordo com a denúncia, feita numa data não especificada, o abuso ocorreu há mais de 30 anos. Os documentos, porém, não indicam se essas informações deram origem a investigações posteriores.
Trump não foi formalmente acusado de qualquer irregularidade relacionada ao caso Epstein e negou ter conhecimento dos crimes cometidos pelo financista, do qual foi amigo por quase 15 anos, até uma desavença que precedeu a primeira prisão do abusador.
O bilionário foi encontrado enforcado em sua cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Embora sua morte tenha sido considerada suicídio, ela gerou teorias da conspiração, algumas das quais o próprio Trump impulsionou para seus apoiadores.
Durante a campanha de 2024, Trump prometeu à sua base revelações contundentes sobre o financista. Mas, após voltar à Casa Branca, o republicano relutou em publicar os documentos —o primeiro lote foi publicado em dezembro, um mês após o prazo legal para divulgação ter expirado.
O escândalo se tornou um problema político para o republicano, que já enfrenta índices de aprovação em queda em uma série de questões, incluindo sua gestão da economia e sua cruzada contra imigrantes.
Dentre os citados nos arquivos está Bill Clinton, que também não foi acusado de crimes penais relacionados às atividades de Epstein. O ex-presidente americano aparece reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto foi ocultado. Em muitas das cenas em que o democrata aparece, ele é a única pessoa cuja identidade pode ser discernida, e os arquivos fornecem pouco ou nenhum contexto para as imagens.
Ao falar sobre Clinton, o republicano disse que “é uma pena” e acrescentou que esse “não é um problema dos republicanos, e sim dos democratas”.




