Milhares de apoiadores de Nicolás Maduro participaram de uma marcha em Caracas nesta terça-feira (3) para exigir a libertação do ditador, capturado em uma operação militar dos Estados Unidos há um mês.
O líder chavista e sua esposa, Cilia Flores, foram levados pelas forças do governo de Donald Trump durante uma operação que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões vizinhas. O casal será julgado em Nova York por narcotráfico.
Desde então, Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina e governa sob pressão de Washington.
“Chegou a pátria, chegou a paz, porque a Venezuela precisa de Nicolás”, gritavam manifestantes na capital venezuelana. O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Hugo Chávez, vem mobilizando sua militância desde a captura do ditador.
A marcha do chavismo chegou às proximidades do Palácio de Miraflores, sede da Presidência. Cantores alinhados ao regime se apresentaram em um palco montado no local. Apoiadores estenderam uma grande faixa com a imagem de Maduro e Flores.
“Conquistamos uma profunda consciência anti-imperialista”, declarou o filho de Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra, conhecido como Nicolasito, no ato.
Mais cedo, uma manifestação de estudantes universitários e familiares de presos políticos pediu rapidez na aprovação de uma lei de anistia anunciada por Delcy na semana passada.
O projeto de lei, por enquanto, não chegou à Assembleia, que na terça-feira debateu outros temas. A líder interina disse que está “trabalhando intensamente” no texto antes de enviá-lo aos deputados.
A concentração na Universidade Central da Venezuela reuniu cerca de 500 pessoas e simbolizou o retorno de uma mobilização que estava silenciada. Qualquer protesto contra o regime havia se tornado uma raridade no país após a repressão às manifestações contra o resultado das eleições de 2024, que reconduziram Maduro a um terceiro mandato e foram acusadas de fraude.
Mais de 2.000 pessoas foram presas sob acusações de “terrorismo”. “A liberdade está nas ruas e ninguém vai detê-la!”, gritavam os manifestantes. “O povo se pergunta o que é que se vê: são os estudantes nas ruas outra vez”, entoavam em coro.
Delcy mantém o chavismo no poder, ainda que condicionado por Washington. A Venezuela cedeu aos Estados Unidos o controle sobre o petróleo, uma exigência de Trump, além de promover uma reforma da lei de hidrocarbonetos que flexibiliza os controles e abre espaço para o investimento privado.
A líder interina também prepara uma nova lei de mineração, segundo anunciou Delcy na terça-feira, sem fornecer detalhes. Washington e Caracas também avançam na retomada das relações bilaterais, rompidas por Maduro em 2019.
Em sessão parlamentar, a deputada governista Tania Díaz tomou a palavra para expressar a condenação do PSUV ao “sequestro” de Maduro e Flores. A pauta da Assembleia, controlada pelo chavismo, incluiu um primeiro debate sobre uma lei da Cruz Vermelha e a nomeação de um embaixador.
A anistia prometida não foi mencionada, e parlamentares da oposição foram impedidos de tratar do tema.
O deputado Tomás Guanipa exigiu “celeridade”, enquanto seu colega Stalin González disse à AFP que espera um primeiro debate já nesta quinta-feira (5). “Espero que a anistia abra caminho para a reconciliação, a convivência, a paz e a democracia”, afirmou.




