
Agências humanitárias da ONU alertaram, nesta sexta-feira, que a falta de energia causada por ataques russos à Ucrânia está afetando particularmente as mulheres. Muitas atravessam os efeitos um rigoroso inverno sem serviços de calefação.
A chefe de Ação Humanitária da ONU Mulheres, Sofia Calltorp, que visitou o país, contou a jornalistas, em Genebra, sobre o sofrimento das famílias que ficaram sem aquecimento, eletricidade e abrigo seguro em meio às condições climáticas “brutais”.
Uma mãe acalma seu filho em meio ao inverno
Desde o início do conflito, prestes a completar quatro anos, 65% da capacidade de geração de energia da Ucrânia foi destruída por ataques deliberados.
A escuridão prolongada, o isolamento e a incerteza constante estão exaurindo as comunidades.
Sofia Calltorp declarou que esses apagões não são apenas problemas técnicos, “eles comprometem diretamente a segurança, a proteção e a estabilidade econômica das mulheres.”
Ela explicou que a escuridão prolongada, a falta de iluminação pública e a interrupção dos transportes “restringem severamente a mobilidade das mulheres e aumentam a exposição ao assédio e a acidentes”.
Muitas ucranianas trabalham em setores que foram os mais afetados pelos prolongados cortes de energia, como educação, saúde, serviços sociais e comércio varejista, e agora estão perdendo seus empregos.
A representante da ONU Mulheres disse que ouviu de uma ucraniana em Kyiv que sem eletricidade não há escola para os filhos, nem emprego ou salário para ela.
O ano de 2025 foi o ano mais letal do conflito para as mulheres até o momento. Desde 24 de fevereiro de 2022, mais de 5 mil mulheres e meninas foram confirmadas como mortas e 14 mil ficaram feridas, sendo que o número real provavelmente é muito maior.
Uma mulher empurra um carrinho de mão carregado com caixas de ajuda alimentar do Programa Mundial de Alimentos por uma floresta na Ucrânia
Sofia Calltorp disse que apesar dos desafios, as mulheres da Ucrânia estão “levando o país adiante” e as organizações lideradas por elas são essenciais para a resposta humanitária, mas estão sob séria ameaça devido aos cortes de financiamento.
Uma em cada três organizações lideradas por mulheres alertou que pode não sobreviver por mais de seis meses, de acordo com uma pesquisa recente focada no impacto dos cortes na ajuda externa.
A representante da ONU Mulheres na Ucrânia, Sabine Freizer, ressaltou que “devido aos cortes de financiamento em 2025 e 2026, prevê-se que essas organizações percam pelo menos US$ 53,9 milhões até o final do ano”.
Ela adicionou que se essa situação persistir, estima-se que 63 mil mulheres perderão o acesso a serviços como apoio a sobreviventes de violência sexual.
O porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, afirmou que o impacto devastador do conflito é ainda mais agravado pelos ataques aos serviços de saúde, que são “graves e generalizados”.
Nos últimos quatro anos, a OMS verificou mais de 2.870 ataques confirmados, resultando em 233 mortes e 937 feridos entre profissionais de saúde e pacientes.
Lindmeier afirmou que as instalações estão operando além da capacidade de resposta a emergências, com a força de trabalho reduzida e a infraestrutura danificada.
O porta-voz da OMS também afirmou que o número de pessoas com deficiência aumentou em quase 390 mil, ou mais de 10%, desde fevereiro de 2022.
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