Livros destrincham último golpe militar na Argentina – 23/02/2026 – Mundo

Livros destrincham último golpe militar na Argentina - 23/02/2026 -


Quando o calendário se aproxima do 24 de março, data que marca os 50 anos do mais recente golpe militar na Argentina, cuja repressão fez desaparecer mais de 20 mil pessoas, esta coluna se dedica a revisitar aquele período por meio de alguns dos livros mais consistentes já escritos sobre a ditadura de 1976-1983.

Cinco livros, cinco ângulos distintos. Juntos, permitem entender não apenas o funcionamento da máquina repressiva, mas também as respostas da sociedade, os crimes contra a humanidade e as marcas que ainda atravessam a política argentina meio século depois.

1. “El Secuestro de los Born”, de María O’Donnell

O sequestro dos milionários irmãos Born pelo grupo Montoneros, em 1974, antecede o golpe, mas ajuda a compreender o clima de radicalização da violência política que desembocou na ditadura. A jornalista María O’Donnell, uma das mais importantes da Argentina, reconstrói a operação, as negociações e suas consequências políticas e econômicas. O episódio expõe a escalada de violência dos anos 1970 e ajuda a entender como parte da sociedade passou a aceitar, ou a tolerar, a intervenção militar.

2. “Los Oesterheld”, de Fernanda Nicolini e Alicia Beltrami

A trajetória do roteirista Héctor Germán Oesterheld e de suas quatro filhas desaparecidas condensa o drama de uma geração. O livro reconstrói a perseguição à família e mostra como a repressão atingiu também o campo cultural. Autor de “O Eternauta”, transformado recentemente em minissérie, Oesterheld tornou-se símbolo de uma produção artística atravessada pela política e esmagada pelo Estado. A narrativa combina investigação histórica e reconstrução humana, dando dimensão concreta ao número dos desaparecidos.

3. “El Infiltrado”, de Uki Goñi

O jornalista e historiador Uki Goñi investiga as redes de infiltração que operavam durante a ditadura. O livro conta a história de um repressor, Alfredo Astiz, que se infiltrou num grupo de familiares de desaparecidos que se reunia numa igreja —hoje ele cumpre pena por crimes contra a humanidade. Fazendo-se passar pelo irmão de um desaparecido, Astiz ouviu nomes e informações de outros opositores do regime. Além de prendê-los e enviá-los à Esma (Escola Mecânica da Marinha), ele ao final arma uma operação para sequestrar todos os integrantes deste grupo. A maioria morreu num dos “voos da morte”, arremessados no rio da Prata.

4. “Disposición Final”, de Ceferino Reato

Livro polêmico, que incomodou a muitos, mas que é absolutamente necessário. O historiador Ceferino Reato teve acesso ao general Jorge Rafael Videla, presidente da primeira junta militar, que passou seus últimos dias preso. Depois de longas entrevistas, conseguiu fazer com que Videla contasse detalhes sobre como era a escolha dos desaparecidos, a logística dos “voos da morte” e o sequestro de bebês. Muitos militantes de esquerda consideram o livro inapropriado, pois não se deveria dar espaço a um ditador cruel. A repercussão foi muito grande.

5. “Argentina, un Siglo de Violencia Política”, de Marcelo Larraquy

O autor amplia o foco ao inserir a ditadura de 1976-1983 em uma tradição mais longa de confrontos armados, golpes e radicalização ideológica na Argentina. O livro reconstrói a escalada da violência política desde o início do século 20, passando pelo peronismo, pelas organizações guerrilheiras e pela repressão estatal, até chegar ao terrorismo de Estado. Ao fazer esse percurso, Larraquy sugere que a ditadura não foi um raio em céu azul, mas o ponto mais extremo de uma história marcada por enfrentamentos e pela fragilidade das instituições democráticas.



Fonte CNN BRASIL

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