Entenda o conflito entre Paquistão e Afeganistão – 27/02/2026 – Mundo

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Afeganistão e Paquistão voltaram ao confronto direto, com ataques e bombardeios, e o ministro da Defesa de Islamabad, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Talibã afegão. O episódio, que já deixou quase 300 vítimas, expõe a deterioração de uma relação que já foi estratégica.

Durante décadas, o Paquistão foi o aliado mais próximo do Talibã afegão. Islamabad ajudou a dar origem ao grupo, no início dos anos 1990, como forma de garantir um aliado estratégido na sua longa rivalidade com a Índia.

As tensões vêm aumentando desde que o Paquistão lançou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão no último fim de semana. Em outubro do ano passado, confrontos na fronteira entre os dois países mataram dezenas de soldados, até que negociações facilitadas por Turquia, Qatar e Arábia Saudita encerraram as hostilidades e um cessar-fogo frágil foi estabelecido.

Os ataques são mais uma escalada de um conflito que coloca o bem financiado e armado Exército do Paquistão, que tem armas nucleares, contra o Talibã, que é experiente em guerra de guerrilha devido a décadas de combate contra forças lideradas pelos Estados Unidos.

POR QUE OS VIZINHOS ESTÃO AGORA EM DESACORDO?

O Paquistão celebrou a volta do Talibã ao poder, em 2021. À época, o então primeiro-ministro Imran Khan afirmou que os afegãos haviam “quebrado as correntes da escravidão”.

Mas Islamabad logo descobriu que o Talibã não era tão cooperativo quanto esperava. A crise tem sua origem no grupo TTP (Tehreek-e-Taliban Pakistan) do Paquistão, uma facção acusada por Islamabad de realizar ataques terroristas na região do Waziristão.

O TTP busca combater o Estado paquistanês e impor a lei islâmica sobre o território, criando uma teocracia no país. O Waziristão é conhecido por ser refúgio de vários grupos islâmicos radicais que atuam tanto no Paquistão quanto no Afeganistão.

Islamabad também acusa insurgentes que defendem a independência da província do Baluchistão, no sudoeste paquistanês, de usar o território afegão como refúgio.

Desde 2022, os ataques atribuídos ao TTP e a insurgentes balúchis vêm aumentando a cada ano, segundo a organização Armed Conflict Location & Event Data, que monitora conflitos no mundo. Cabul nega permitir que militantes utilizem seu território para lançar ataques contra o Paquistão.

O Talibã, por sua vez, acusa Islamabad de abrigar combatentes do Estado Islâmico —acusação rejeitada pelo governo paquistanês.

Islamabad diz que o cessar-fogo não durou muito devido aos contínuos ataques em solo paquistanês atribuídos a grupos baseados no Afeganistão. Desde então, confrontos e fechamentos de fronteira têm se repetido, prejudicando o comércio e a circulação ao longo da região montanhosa.

O QUE DESENCADEOU OS CONFRONTOS MAIS RECENTES?

No dia anterior aos ataques do fim de semana passado, fontes de segurança paquistanesas disseram ter “provas irrefutáveis” de que militantes no Afeganistão estavam por trás de uma nova onda de atentados e ataques suicidas contra alvos militares e policiais paquistaneses.

As autoridades listaram sete ações planejadas ou executadas desde o fim de 2024 que, segundo afirmam, tinham conexão com o Afeganistão. Na semana passada, um ataque no distrito de Bajaur matou 11 agentes de segurança e dois civis.

De acordo com fontes paquistanesas, o atentado foi cometido por um cidadão afegão e reivindicado pelo TTP.

QUEM SÃO OS TALIBÃ PAQUISTANESES?

O TTP surgiu em 2007, a partir da união de várias facções ativas no noroeste do Paquistão. Conhecido como Talibã paquistanês, o grupo promoveu ataques contra mercados, mesquitas, aeroportos, bases militares e delegacias, além de conquistar áreas —sobretudo na fronteira com o Afeganistão, mas também no interior do país, como no Vale do Swat.

O TTP foi responsável pelo atentado, em 2012, contra a então estudante Malala Yousafzai, que dois anos depois receberia o Prêmio Nobel da Paz.

O grupo também lutou ao lado do Talibã afegão contra forças lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão e acolheu combatentes afegãos no Paquistão. Islamabad lançou operações militares contra o TTP em seu próprio território com resultados limitados. Uma ofensiva em 2016 reduziu drasticamente os ataques por alguns anos, mas a violência voltou a crescer.

O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR?

Analistas avaliam que o Paquistão tende a intensificar sua campanha militar. Cabul, por sua vez, pode responder com incursões contra postos fronteiriços e ataques de guerrilha transfronteiriços contra forças de segurança.

No papel, a disparidade militar é ampla. Com cerca de 172 mil combatentes, o Talibã reúne menos de um terço do efetivo paquistanês. O grupo dispõe de ao menos seis aeronaves e 23 helicópteros, mas não tem caças nem uma força aérea efetiva.

Já as Forças Armadas do Paquistão somam mais de 600 mil militares na ativa, mais de 6 mil veículos blindados e mais de 400 aeronaves de combate, segundo dados de 2025 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. O país também possui arsenal nuclear.



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