Um submarino dos Estados Unidos torpedeou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, próximo ao Sri Lanka, disse Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, nesta quarta-feira, como parte de uma campanha militar cada vez mais ampla contra o Irã.
Embora Hegseth não tenha identificado o navio, uma embarcação iraniana com uma tripulação de 180 pessoas afundou no Oceano Índico na quarta-feira, na costa sul do Sri Lanka, segundo autoridades do país. Pelo menos 80 pessoas morreram, de acordo com Arun Hemachandra, vice-ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka.
Autoridades do governo disseram que 32 pessoas foram resgatadas anteriormente e que buscas por outros sobreviventes estavam em andamento. O navio de guerra iraniano torpedeado corre o risco de arrastar o Sri Lanka, país insular do sul da Ásia com cerca de 22 milhões de habitantes, para uma situação política que não foi criada por ele.
O navio iraniano “pensou que estava seguro em águas internacionais”, mas “em vez disso, foi afundado por um torpedo”, disse Hegseth em uma coletiva de imprensa no Pentágono.
“A América está vencendo, de forma decisiva, devastadora e sem piedade”, disse Hegseth, acrescentando que “mais ondas” de ataques estão por vir. Ele disse que foi a primeira vez que um submarino dos EUA foi usado para disparar um torpedo contra um navio inimigo em combate desde a Segunda Guerra Mundial.
A frota naval do Irã está sob ataque desde que os EUA e Israel lançaram uma guerra contra o Irã no fim de semana, tendo como alvo o aparato militar e de segurança do país.
O Iris Dena, descrito como um contratorpedeiro, navegava fora das águas territoriais do Sri Lanka quando enviou um sinal de socorro às 5h08 da manhã, horário local, disse o ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka, Vijitha Herath, ao parlamento do país. O Sri Lanka respondeu, enviando navios da marinha e sua força aérea para a embarcação em perigo.
O ataque, a mais de 3.200 quilômetros do Irã, estendeu o campo de batalha ao seu ponto mais distante desde o início da guerra. O Irã tem atacado vários países com mísseis nos últimos dias, incluindo alvos tão distantes quanto Chipre e Turquia.
O governo do Sri Lanka não assumiu uma posição pública sobre o conflito, mas há muito tempo mantém relações amigáveis com o Irã, disseram analistas.
“Temos uma relação bastante boa com o Irã —muito parecida com um microcosmo de nossa relação mais ampla com o mundo árabe e islâmico”, disse Uditha Devapriya, analista de política externa baseado em Colombo, a capital.
No início da quarta-feira, Herath, o ministro de Relações Exteriores, disse em uma publicação nas redes sociais que havia assinado o livro de condolências pelo líder supremo do Irã assassinado, aiatolá Ali Khamenei, na embaixada iraniana em Colombo. Os dois países haviam fortalecido seus laços bilaterais durante seu mandato, disse ele, acrescentando que o Sri Lanka permanece “grato pela amizade do Irã”.
Autoridades do Sri Lanka disseram que os 32 tripulantes resgatados foram levados ao Hospital Karapitiya, na cidade costeira de Galle, no sul do país. Oficiais encontraram corpos flutuando na água onde o navio afundou, disse o capitão Buddhika Sampath, porta-voz da marinha do Sri Lanka, durante uma coletiva de imprensa.
“Não vimos o navio, mas observamos manchas de óleo e botes salva-vidas”, disse Sampath.
Embora o incidente tenha ocorrido fora das águas do Sri Lanka, a nação insular respondeu em conformidade com seu compromisso com um tratado internacional de busca e resgate marítimo, disse o ministro das Relações Exteriores.
“Somos signatários [do tratado], então intervimos de maneira humanitária, como é nossa responsabilidade”, disse Herath ao parlamento.
O Iris Dena, um valioso contratorpedeiro da marinha iraniana, havia participado de um exercício naval internacional na Índia no mês passado. O navio estava retornando ao Irã vindo de Visakhapatnam, uma cidade na Índia onde o exercício conjunto terminou em 25 de fevereiro. Os Estados Unidos estavam entre os muitos participantes das manobras.



