Irã: EUA têm histórico de intervenção no Oriente Médio – 05/03/2026 – Mundo

Irã: EUA têm histórico de intervenção no Oriente Médio -


A guerra contra o Irã iniciada pelo presidente Donald Trump é o mais recente tópico de uma longa lista de intervenções militares e políticas dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Após a Segunda Guerra Mundial, tropas americanas montaram bases em pontos estratégicos, como a Arábia Saudita, mas foi em 1958 que soldados do país foram enviados para uma missão pela primeira vez. Quase 2.000 militares desembarcaram no Líbano em guerra civil, em um dos maiores uso de força militar dos EUA naquele momento.

Cinco anos antes disso, os EUA já haviam interferido na política de um dos países da região: o Irã. Embora só tenham admitido a participação em 2013, os americanos ajudaram a derrubar o primeiro-ministro persa e a instalar o regime absolutista do xá Mohammad Reza Pahlavi —o mesmo que, em 1979, seria deposto pela revolução islâmica que em 2026 os americanos tentam derrotar.

As maiores e mais custosas —em termos financeiros e humanos— atuações dos EUA no Oriente Médio aconteceram nos anos 2000, quando o governo de George W. Bush invadiu primeiro o Afeganistão, em 2001, e depois o Iraque, dois anos depois.

Veja abaixo os principais momentos em que Washington realizou intervenções militares e políticas no Oriente Médio.

1953: IRÃ

Com a ajuda do Reino Unido, a CIA (Agência Central de Inteligência) apoiou o golpe de Estado que derrubou o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh e tornou o xá Mohammad Reza Pahlavi governante absoluto do país. Os americanos admitiram a participação no golpe em 2013.

1958: LÍBANO

A Operação Blue Bat (Morcego azul) marca o início da presença militar americana na região. O país passava por uma guerra civil que opunha muçulmanos e cristãos quando os primeiros 1.700 marines desembarcaram na costa libanesa em 15 de julho. As forças dos Estados Unidos não chegaram a entrar em combate —só um soldado foi morto durante os 102 dias em que permaneceram na região.

O objetivo era apoiar o presidente Camille Chamoun, aliado dos EUA. Apesar da relativa calmaria encontrada pelos soldados no país, foi o maior número de forças enviadas ao exterior naquele momento.

1982: LÍBANO

Os Estados Unidos participaram de uma junta de quatro países que enviaram tropas para “manutenção da paz” após a violação de um acordo de cessar-fogo feito entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina em 1981. Depois de uma tentativa de assassinato do embaixador israelense em Londres, as Forças de Defesa de Israel invadiram Beirute.

Em seguida, os americanos, junto com ingleses, franceses e italianos, desembarcaram tropas no país árabe. Os soldados permaneceram no país até 1984, em um ambiente cada vez mais instável. Em 23 de outubro, um atentado matou 241 soldados americanos, levando à decisão do presidente Ronald Reagan de retirar as tropas.

1990-1991: IRAQUE

Sob o comando do presidente George H. W. Bush, os Estados Unidos bombardearam o Iraque por 42 dias em janeiro de 1991. O governo do ditador Saddam Hussein havia invadido, no ano anterior, o Kuwait e a justificativa do envolvimento americano foi a preocupação de que forças iraquianas ameaçassem a aliada Arábia Saudita.

A intervenção restabeleceu o governo kuwaitiano, deixando Saddam no poder no Iraque. Seguiu-se uma década de tensões com o país, com sanções internacionais e confrontos esporádicos.

2001: AFEGANISTÃO

Embora já tivessem atuado indiretamente fornecendo apoio aos rebeldes islâmicos, os mujahidins, na guerra entre Afeganistão e Rússia, foi após o 11 de setembro que os EUA entraram de vez no país. A Guerra do Afeganistão levou a quase 200 mil mortos, incluindo 46 mil civis.

As forças americanas se mantiveram no país até agosto de 2021, quando uma desastrada saída devolveu o Afeganistão para as mãos do grupo fundamentalista Talibã.

2002 e 2025: IÊMEN

No bojo da “guerra ao terror” desenhada por George W. Bush, os EUA passaram a atacar com drones membros da Al-Qaeda a partir de 2002. Embora nunca tenham estado abertamente em uma guerra com o Iêmen, as intervenções continuaram ao longo dos anos. Mais recentemente, em 2025, já sob Trump, os americanos passaram a atacar rebeldes houthis, ligados ao Irã.

2003-2011: IRAQUE

A Guerra do Iraque começou em 2003, quando os Estados Unidos e aliados invadiram o país para derrubar o regime de Saddam Hussein, sob a alegação de que ele possuía armas de destruição em massa e mantinha vínculos com o terrorismo.

Embora o governo iraquiano tenha caído rapidamente, a ocupação desencadeou uma longa insurgência, conflitos sectários entre sunitas e xiitas e o surgimento de grupos jihadistas. As tropas americanas permaneceram no país até 2011, após cerca de oito anos de guerra e instabilidade.

2014-presente: SÍRIA

Na Síria, os Estados Unidos intervêm militarmente desde 2014, principalmente com bombardeios e apoio a forças locais na guerra contra o Estado Islâmico, que também ocupou partes do território iraquiano.

Washington realizou ataques pontuais contra o governo de Bashar al-Assad após acusações de uso de armas químicas e mantém uma presença limitada de tropas no nordeste do país para apoiar aliados locais e conter o ressurgimento do EI. Em 2026, forças americanas voltaram a realizar bombardeios contra posições do grupo no país.

2025: IRÃ

Em junho de 2025, o governo Donald Trump bombardeou instalações nucleares iranianas para atingir complexos subterrâneos do programa nuclear do país.

Foi o primeiro confronto direto entre os dois países, inimigos desde que a Revolução Islâmica de 1979 derrubou o xá. O ataque ocorreu durante a escalada entre Irã e Israel e buscava atrasar o desenvolvimento nuclear iraniano. O Irã respondeu com ataques contra posições americanas na região.

Na ocasião, Trump chegou a afirmar que tinha “obliterado” o programa nuclear do Irã.



Fonte CNN BRASIL

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