Parceria com os EUA anima Israel em novos ataques – 05/03/2026 – Mundo

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Por anos, enquanto criticava duramente o programa nuclear do Irã, Israel parecia contido diante de um confronto militar com o país. Temia que o Hezbollah, milícia que é aliada política de Teerã no Líbano, respondesse em nome do regime dos aiatolás, desencadeando seu arsenal de milhares de mísseis e foguetes e fazendo cair fogo sobre Haifa e Tel Aviv.

Agora, Israel e Estados Unidos dominam os céus sobre o Irã e estão destruindo sistematicamente a infraestrutura e o arsenal de mísseis balísticos iranianos.

E quando o Hezbollah entrou na luta, ainda que simbolicamente —com uma única salva relativamente fraca de foguetes e drones lançados no norte de Israel—, Israel teve o pretexto de que precisava. Anunciou uma contraofensiva muito mais significativa e há muito planejada, atacando líderes da milícia em Beirute e em todo o Líbano.

Nesse contexto, encorajado pela parceria com os EUA, confiante em sua própria força militar e percebendo as fraquezas de seus dois adversários mais ferozes, Israel está aproveitando a nova guerra como uma oportunidade para perseguir sua própria agenda geopolítica.

“Encerraremos esta campanha não apenas com o Irã sendo atacado, mas com o Hezbollah sofrendo um golpe devastador”, disse o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir. Ele deu a entender que seria uma longa luta contra o Hezbollah, dizendo que não terminaria “antes que a ameaça do Líbano seja eliminada”.

Esta também é uma guerra que Israel iniciou de forma oportunista. E esse fato reflete uma mudança importante no pensamento estratégico do país desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e as falhas catastróficas de inteligência que o tornaram possível.

Israel não confia mais na capacidade de seu aparato de inteligência de interpretar com precisão as intenções de seus adversários. Então, quando inimigos determinados a destruir Israel começam a acumular os meios para alcançar esse objetivo, Tel Aviv agora vê um imperativo de destruir essas capacidades sempre que tiver a chance.

“É por isso que a discussão sobre se o Irã estava à beira de desenvolver armas nucleares não importa mais”, disse Shira Efron, analista de Israel na ONG americana Rand, referindo-se a uma das principais justificativas para o ataque israelo-americano de sábado.

Segundo três autoridades de defesa israelenses, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ordenou aos líderes militares no final do ano passado que começassem a planejar um ataque solo contra o Irã a ser realizado entre abril e junho.

Os comandantes militares não estavam entusiasmados, disse uma autoridade de defesa, porque não consideravam que Israel, agindo sozinho, pudesse alcançar muito mais do que havia conseguido na guerra de 12 dias em junho de 2025. Também estavam preocupados com sua capacidade de se defender contra o que esperavam ser uma resposta iraniana visando centros populacionais israelenses com mísseis balísticos, afirmou a autoridade.

Uma vez que ficou claro que os EUA seriam parceiros de Israel em um ataque ao Irã e começaram a concentrar forças na região, duas autoridades de defesa disseram que os generais israelenses mudaram de tom. Eles vislumbraram uma oportunidade histórica de golpear Teerã, destruir seu arsenal de mísseis, danificar ainda mais seu programa nuclear e até tentar levar o governo iraniano ao ponto de ruptura.

O fato de os EUA assumirem grande parte do fardo —incluindo o envio de uma enorme frota de aviões-tanque de reabastecimento em voo— tornou possível para Israel mobilizar sua maior frota aérea de todos os tempos no sábado, disseram as duas autoridades. Isso permitiu o que se revelou um ataque devastador aos lançadores de mísseis iranianos, afirmaram.

Em contraste, a campanha de Israel contra o Hezbollah, segundo analistas, reflete o fato de que havia feito planos meses atrás para tal ataque e estava esperando uma desculpa para executá-los.

“Israel estava esperando a oportunidade”, disse Orna Mizrahi, ex-vice-conselheira de segurança nacional especializada em Líbano no Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv. Ela chamou o ataque com mísseis e drones do Hezbollah na segunda-feira de uma “aventura estúpida” profundamente equivocada.

Desde sua guerra de oito semanas com o Hezbollah em outubro e novembro de 2024, Israel acusou o grupo militante de violar uma trégua e atacou o que chama de alvos terroristas no Líbano quase diariamente.

“Essa foi a razão para planejar outra campanha”, disse Mizrahi. “A cada duas casas ou mais, havia infraestrutura militar, locais, equipamentos e lançadores de mísseis. Havia muito a fazer, e as Forças de Defesa de Israel não conseguiram completar tudo.”

O Hezbollah, por sua vez, afirma que esses ataques israelenses são violações do cessar-fogo e descreveu seu ataque de segunda-feira como uma resposta às provocações israelenses.

Sobre o que uma nova campanha no Líbano implicará, analistas disseram esperar uma operação terrestre, não apenas ataques aéreos, e observaram o deslocamento de reservistas para unidades de infantaria e blindadas ao longo da fronteira norte.

Shimon Shapira, general de brigada aposentado que estudou o Hezbollah por muitos anos, disse que o objetivo da nova ofensiva contra o grupo tinha que ser nada menos que desmantelar seu aparato militar.

“O objetivo é fazer do Hezbollah um partido político sem quaisquer armas ou exército”, disse ele. “Você pode tomar os mísseis, as armas, a munição. Isso você pode fazer. E no caminho, matar os comandantes.”



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