O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o Reino Unido neste sábado (7) pelo que considera um atraso na ajuda militar do aliado em meio a guerra contra o Irã. O comentário no mesmo dia em que o republicano elogiou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pela prontidão no auxílio a Washington.
As observações mostram a importância que o americano dá à ajuda militar da Europa, que tenta se equilibrar entre manter uma boa relação com os EUA e não se envolver diretamente em uma guerra impopular.
Em relação ao Reino Unido, Trump afirmou que Washington não precisa mais do aliado para vencer o conflito.
“O Reino Unido, nosso outrora grande aliado, talvez o maior de todos, está finalmente considerando seriamente o envio de dois porta-aviões para o Oriente Médio“, disse ele. “Tudo bem, primeiro-ministro Starmer, não precisamos mais deles —mas nos lembraremos. Não precisamos de pessoas que se juntam a guerras depois que já vencemos!”
Trump critica repetidamente o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, desde que Londres bloqueou o uso de bases britânicas pelos EUA para atacar o Irã —mesmo após uma posterior revisão da medida.
A publicação se dá após o Ministério da Defesa britânico ter anunciado, no sábado (7), que estava preparando o porta-aviões Príncipe de Gales para um possível destacamento. No entanto, nenhuma decisão final foi tomada sobre o envio do porta-aviões para o Oriente Médio, afirmou um funcionário britânico.
Starmer diz que a hesitação inicial ocoreu porque ele precisava ter certeza de que qualquer ação militar seria legal e bem planejada. Então, concedeu permissão às forças americanas para usar bases britânicas -para um “propósito defensivo específico e limitado”, mas reafirmou que não participaria “de ações ofensivas no Irã”.
O chefe de governo britânico tenta adotar uma postura pragmática em relação ao seu partido e à opinião pública, que tende a ver com cautela o envolvimento com guerras no Oriente Médio após o alinhamento total de Tony Blair à invasão do Iraque pelos EUA, em 2003.
No início do ano, Starmer já havia criticado a iniciativa de Trump de tentar comprar a Groenlândia e disse que seus comentários sobre as tropas europeias evitarem o combate na linha de frente da guerra no Afeganistão eram “francamente deploráveis”.
Neste domingo (8), a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, afirmou à emissora Sky News que “precisa se concentrar na substância e não em publicações nas redes sociais”. “Não vamos agir com base em retórica ou hipérboles. Vamos agir de forma prática, calma e com decisões firmes. Porque acredito que, de forma geral, o caráter britânico é o de fazer as coisas de maneira séria e constante”, afirmou.
Já a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, foi elogiada pelo republicano após dizer que estava disposta a ajudar os EUA no conflito, segundo publicou o jornal italiano Corriere della Sera neste domingo. “Eu amo a Itália, acho que ela é uma grande líder”, disse Trump sobre Meloni em uma entrevista por telefone ao jornal na véspera. “Ela sempre tenta ajudar, é uma excelente líder e é minha amiga.”
Na quinta (5), Meloni havia afirmado que a Itália planejava enviar ajuda para defesa aérea aos países do Golfo em resposta aos ataques aéreos iranianos. No dia seguinte, um porta-voa da Marinha disse que estava preparando um navio para navegar até o Chipre como parte de uma missão conjunta europeia para proteger a ilha.
Emmanuel Macron, aliás, visitará o Chipre na segunda-feira (9) para demonstrar apoio ao membro da União Europeia que foi alvo de um ataque com drone na semana passada, informou a Presidência da França neste domingo. Lá, o líder se reunirá com seu homólogo, Nikos Christodoulides, e com o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis.




