Kristi Noem selou própria demissão – 10/03/2026 – Mundo

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Kristi Noem não foi demitida depois que agentes federais em Minneapolis mataram dois cidadãos americanos.

Ela não foi destituída quando um juiz em Minnesota disse que sua agência de imigração havia violado mais ordens judiciais do que algumas agências federais violam em toda a sua existência.

Tampouco aconteceu quando ela descreveu como terrorista doméstico um enfermeiro do Departamento de Assuntos de Veteranos baleado por seus agentes, ou quando afirmou falsamente que ele havia empunhado uma arma antes de ser imobilizado e morto.

Na verdade, Noem foi destituída pouco depois de aparentemente cruzar uma das poucas linhas vermelhas da Casa Branca do presidente Donald Trump: ela pareceu transferir a responsabilidade por seus próprios problemas políticos de volta para ele.

Durante uma audiência no Congresso esta semana, Noem foi questionada se Trump havia aprovado uma campanha publicitária governamental de mais de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) na qual ela aparecia com destaque. Noem disse que Trump a havia encarregado de “levar a mensagem ao país”.

Questionada diretamente se Trump havia aprovado a campanha antes de os anúncios irem ao ar, Noem respondeu: “Tivemos essa conversa, sim, antes de eu ser colocada neste cargo e empossada e confirmada. E desde então também”.

Os comentários de Noem sugeriram que Trump havia aprovado uma campanha publicitária extremamente cara que até mesmo alguns em seu departamento acharam constrangedora —com Noem a cavalo no Monte Rushmore.

E ao indicar que Trump tinha responsabilidade sobre a campanha de comunicação, Noem tirou Trump de uma de suas zonas de conforto, que é a de espectador de suas próprias políticas. Pouco depois da declaração dela, Trump disse à Reuters que não sabia do contrato.

Ao torná-la a primeira integrante do gabinete a ser afastada do cargo em seu segundo mandato, Trump não condenou as deportações em massa e as táticas agressivas que Noem abraçou com entusiasmo sob o olhar atento de Stephen Miller, o arquiteto da agenda de imigração de Trump.

Ele não sinalizou uma mudança para o departamento, que, segundo autoridades da administração, continuará a avançar os mesmos objetivos sob o comando do senador Markwayne Mullin, republicano de Oklahoma, que foi escolhido para substituir Noem.

A decisão, em vez disso, pareceu motivada por uma vontade de distanciar Trump da pessoa que havia se tornado politicamente insustentável.

“A lealdade é absolutamente a chave”, disse Gil Kerlikowske, ex-comissário da Alfândega e Proteção de Fronteiras, que está sob o guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna. “É uma boa regra nunca jogar seu chefe debaixo do ônibus, e com ele em particular acho que é o pecado capital, e ela certamente violou isso.”

O DHS se recusou a comentar na sexta-feira sobre a destituição de Noem, que liderará o departamento até o final do mês.

Questionada sobre o raciocínio de Trump para afastar Noem, a Casa Branca se referiu a uma declaração da secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, dizendo que Trump estava “grato” a Noem por seu trabalho para reduzir as travessias ilegais na fronteira a mínimos históricos e que a agenda de imigração de Trump “continuará sem interrupção”.

A Casa Branca não respondeu a outras perguntas sobre por que Trump não conhecia os detalhes da campanha comercial para uma de suas políticas favoritas — deportações — ou por que ele não pediu mais detalhes sobre comerciais que passaram na televisão por meses.

O Escritório de Gestão e Orçamento, que faz parte da Casa Branca, não respondeu quando questionado se o escritório havia aprovado a campanha publicitária.

Um funcionário da administração Trump, falando sob condição de anonimato para falar com franqueza sobre a crescente frustração de Trump com Noem, afirmou que a decisão decorreu em parte de sua resposta sobre a campanha publicitária.

Mas esse funcionário disse que também foi a culminação de vários fatores, incluindo a forma como ela lidou com as consequências da operação em Minnesota, o que alguns na Casa Branca perceberam como má gestão de sua equipe e suas disputas com outros líderes do departamento.

Mas também foi o mais recente exemplo de Trump, cujos assessores conduziram testes de lealdade para candidatos que buscavam cargos de alto escalão no governo, tentando se distanciar das ações de imigração de sua administração quando elas se tornaram cada vez mais politicamente tóxicas.

A raiva de Trump ignorou o fato de que ele, em última instância, comanda o ICE como chefe do poder executivo, e que ele orientou Noem a supervisionar uma campanha de deportação para remover milhões de imigrantes que estavam no país ilegalmente.

Quando questionado sobre a decisão de sua administração de suspender a admissão de refugiados para quase todos ao redor do mundo, exceto sul-africanos brancos, Trump disse que “não tinha visto isso”. Seus principais assessores do Departamento de Estado receberam alguns dos primeiros refugiados quando eles chegaram a Washington.

E quando Noem fez a alegação infundada de que Alex Pretti, o enfermeiro fatalmente baleado por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras em Minneapolis, havia cometido um ato de terrorismo doméstico, Trump disse dias depois que achava que era necessário um “toque mais suave” em Minneapolis.

Funcionários atuais e antigos dizem que Mullin terá que equilibrar as demandas de lealdade de Trump com um Departamento de Segurança Interna que sofre com dificuldades de financiamento e baixo moral.

Janet Napolitano, secretária do DHS durante a administração Obama, disse que espera que Mullin seja capaz de ajudar o departamento a sair de um ano de controvérsias e problemas, inclusive restaurando as subagências esvaziadas focadas em segurança cibernética e socorro em desastres.

“Espero que ele compreenda que o cargo de secretário do DHS é um trabalho enorme, enorme, do ponto de vista operacional e de gestão, e que ele entenda que esse trabalho não é apenas aparecer em vídeos, mas realmente ajudar a reconstituir o departamento”, disse Napolitano.



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