O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (11) que “praticamente não sobrou nada para atacar” no Irã. “Quando eu quiser que acabe, vai acabar”, disse o americano em breve entrevista por telefone ao site Axios.
“A guerra está indo muito bem. Estamos muito à frente na nossa programação. Provocamos mais danos do que pensávamos ser possível, mesmo no período original de seis semanas [para o fim dos ataques]”, afirmou Trump.
A nova declaração do presidente, no entanto, contradiz as próprias diretrizes de seu governo, ainda que exista pouca clareza sobre seus objetivos e quando a Casa Branca irá considerá-los concluídos.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, afirmou que os objetivos de Washington no conflito continuam sendo impedir que o Irã construa uma arma nuclear, destruir as capacidades produtivas de mísseis balíticos, destruir a Marinha iraniano e enfraquecer os grupos aliados de Teerã no Oriente Médio.
Trump também tem dito, e foi reforçado por Leavitt, que a meta é obrigar o regime iraniano a uma “rendição incondicional”, novamente sem explicar o que isso significa na prática. Ao não esclarecer quando esses objetivos estariam concluídos, Trump deixa em aberto e nas suas mãos a capacidade de declarar o fim da guerra, ou ao menos a participação americana nela.
O conflito tem se espalhado a despeito das declarações de Trump. Se inicialmente a reação iraniana contra países árabes da região serviu para tentar desestabilizar o apoio deles a Washington e assegurar a ideia de que Teerã resistiu à primeira salva de mísseis, agora as atenções se voltam ao mar.
O Irã tenta bloquear o estreito de Hormuz, via marítima que separa o golfo Pérsico do golfo de Omã e é rota de 20% do trânsito de petróleo e gás natural no mundo.
Nesta terça, o Irã passou a atacar navios que tentam passar pela região. Um dos três cargueiros atingidos, de bandeira tailandesa, teve de ser evacuado devido a um incêndio a bordo perto de Omã. Os outros dois incidentes foram menos graves, e os navios foram levados para portos dos Emirados Árabes Unidos.
“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse nesta quarta o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari. O referencial barril Brent está flutuando acima de US$ 90, depois de ter batido quase US$ 120.
Na véspera, os EUA haviam anunciado ter afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região. O objetivo, disse o Pentágono, foi o de evitar que eles operassem agora que o grosso da Marinha de Teerã está inutilizado.
Além do conflito expandido para o estreito de Hormuz, joga contra a declaração de Trump o fato de que Israel não parece comprometido a um fim rápido da guerra, e tem reforçado que busca ampliar o enfraquecimento da República Islâmica.
Essa divergência fica evidente inclusive nas falas de Trump, que inicialmente deixou claro que um dos objetivos era a mudança de regime, mas agora não elenca a troca entre seus objetivos. Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, insiste no aprofundamento da crise política no Irã.




