
O Conselho de Segurança está discutindo, em uma sessão de emergência, a escalada do conflito no Líbano após confrontos de tropas de Israel com integrantes do movimento Hezbollah.
O subsecretário-geral das Nações Unidas para Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, relatou que, desde 2 de março, o Hezbollah tem atacado, diariamente, alvos ao longo da Linha Azul, incluindo com foguetes, mísseis e drones contra alvos em Israel e nas Colinas de Golã ocupadas pela Síria.
Ele contou que as Forças de Defesa de Israel emitiram ordens de evacuação para toda a área de operações da a Força Interina da ONU no Líbano, Unifil, e intensificaram os ataques diários.
Lacroix afirmou que ambos os lados estão cometendo violações claras da resolução 1701 do Conselho de Segurança.
Com os constantes confrontos armados restringindo severamente a movimentação, o foco atual da Unifil inclui garantir a segurança de seu pessoal e facilitar o acesso humanitário às comunidades afetadas na região.
Um dia após os ataques ao Irã, o Hezbollah disparou projéteis contra Israel
Já a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos disse que o Hezbollah deve cessar seus ataques contra Israel e cooperar com os esforços do governo libanês para afirmar a plena autoridade do Estado e estabelecer um monopólio sobre as armas.
Rosemary DiCarlo adicionou que Israel deve interromper sua campanha militar no Líbano e retirar suas forças do território libanês. Ela enfatizou que a soberania e a integridade territorial de ambas as nações devem ser respeitadas.
A ONU está pronta para ajudar, mas as decisões que moldarão os próximos dias devem ser guiadas por um “reconhecimento coletivo de que uma escalada ainda maior não beneficia ninguém”.
Ainda nesta quarta-feira, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, anunciou um apelo emergencial de US$ 15 milhões para ampliar a assistência humanitária no Líbano, em resposta ao aumento das necessidades. Os recursos serão liberados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências para complementar o Plano de Resposta ao Líbano para 2026.
Ele explicou que o deslocamento em massa está acelerando, com mais de 750 mil pessoas em movimento no Líbano. Muitos deslocados caminham para áreas densamente povoadas, onde a capacidade de abrigo já está sobrecarregada. Mais de 120 mil pessoas, incluindo milhares de crianças, estão agora em 580 centros coletivos.
Fletcher ressaltou que a capacidade de alcançar as pessoas está se tornando cada vez mais restrita. Grandes áreas do sul do Líbano, do Vale do Becá e dos subúrbios ao sul de Beirute permanecem zonas de conflito ativo.
Segundo ele, detritos e munições não detonadas bloqueiam estradas que levam às aldeias afetadas, e importantes rotas de transporte, incluindo as que ligam o Vale do Becá, têm sido repetidamente interrompidas.
© Exército Francês/Basile Pineau
Forças de paz da ONU em patrulha em Deir Kifa, no sul do Líbano.
A guerra que eclodiu no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, após os ataques de Israel e Estados Unidos, contra o Irã e a reação do Irã contra-atacando Israel e vários países do Golfo Pérsico.
A ONU alerta para a disparada no preço dos combustíveis e o risco do aumento de fome e sofrimento.
As restrições no espaço aéreo em diversos países do Oriente Médio continuam a interromper viagens civis, voos comerciais e operações humanitárias.
Foram relatadas suspensões de voos na Síria, Iraque, Irã, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, afetando a mobilidade em toda a região.
O Líbano já estava sofrendo as consequências dos combates entre Hezbollah e Israel, há duas décadas.
O encontro de emergência no Conselho de Segurança já estava previsto para março com o objetivo de analisar o relatório do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre a implementação da resolução 1701 do órgão sobre o Líbano.
O texto adotado em 2006 solicita o fim das hostilidades entre Israel e Hezbollah.
Segundo agências de notícias, um dia após os ataques ao Irã, o Hezbollah disparou projéteis contra Israel alegando que a ação era uma resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei.
Em resposta, as forças de Israel atacaram várias partes do Líbano incluindo a capital Beirute e o Vale do Becá.
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