A Câmara dos Deputados do México rejeitou nesta quarta-feira (11) a reforma eleitoral proposta pela presidente Claudia Sheinbaum. Os parlamentares criticaram o projeto, afirmando tratar-se de uma tentativa do partido governista, o Morena (Movimento Regeneração Nacional), de concentrar poder.
A reforma recebeu 259 votos a favor e 234 contrários, com uma abstenção. Apesar de amealhar a maioria, o projeto não alcançou o total necessário de dois terços do Parlamento para mudanças constitucionais. Os aliados habituais de Sheinbaum do Partido Verde e do Partido do Trabalho não apoiaram a proposta.
Sheinbaum apresentou a iniciativa no final de fevereiro, argumentando que ela fortaleceria a democracia, aumentaria a participação cidadã e reduziria os custos eleitorais em um quarto. A proposta incluía uma redução no número de cadeiras do Senado e maior fiscalização dos órgãos eleitorais.
Pablo Gómez, chefe da comissão de reforma eleitoral, disse no final de fevereiro que os custos do sistema eleitoral mexicano chegaram a US$ 3,55 bilhões (R$ 18 bilhões) em 2024. No Brasil, segundo a Justiça Eleitoral, as eleições de 2022 custaram cerca de R$ 1,3 bilhões, enquanto o fundo partidário distribuiu R$ 5 bilhões a partidos em 2024.
Pelo projeto apresentado por Sheinbaum, os deputados plurinominais, atualmente indicados para listas partidárias pelos líderes das siglas e designados ao Congresso com base na participação total de votos de cada legenda, precisariam fazer campanha pelo voto popular para eleição direta.
Segundo Sheinbaum, essa era uma demanda central nas consultas públicas. Esses legisladores representam 200 dos 500 representantes na Câmara e 32 dos 128 senadores.
A reforma cortaria ainda o financiamento para partidos políticos, limitaria o tempo diário de TV e rádio por emissora por campanha, exigiria identificação para conteúdo gerado por IA, proibiria bots e estabeleceria teto salarial para representantes eleitos e funcionários eleitorais, alguns dos quais ganham mais que a presidente.
A reeleição consecutiva também seria proibida a partir de 2030, e a votação seria simplificada para mexicanos que vivem no exterior.




