Dengue desacelera, mas mata 28 pessoas no Brasil em 2026

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CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) – A dengue provocou a morte de 28 pessoas no Brasil em 2026, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, atualizado na terça-feira (10). O número era de 18 óbitos na atualização anterior, de 27 de fevereiro.

O avanço é puxado pelo Pará, com 7 óbitos, seguido por Tocantins (5) e Minas Gerais (4). São Paulo e Goiás têm 3 mortes cada um; Maranhão e Mato Grosso, 2, enquanto Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte contabilizam 1 registro cada um.

Embora tenham avançado nos últimos dias, as mortes neste início de 2026 têm ritmo mais lento do que nos dois anos anteriores. A média para o período é de 3 mortes por semana epidemiológica, muito abaixo de 2025, quando 35 pessoas morreram por semana por complicações da doença. Diferença ainda maior para 2024, que terminou com 121 óbitos semanais.

Segundo o pesquisador Leonardo Bastos, coordenador do Infodengue, painel da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que monitora a endemia pelo país, a queda se explica pelos altos índices dos anos anteriores.

“Tem circulado pelo Brasil os sorotipos 1 e 2 da dengue nos últimos três anos e, como os anos anteriores amargaram altos números, sobretudo 2024, aumentou a resistência de boa parte da população à infecção”, afirma.

Ele diz ainda que a condição climática atual é mais favorável à estabilidade, com temperaturas mais próximas do normal e sem fenômenos externos como o El Ninõ de 2024, que contribuiu para índices maiores. O El Niño é marcado por um aquecimento acima da média no oceano Pacífico, perto da linha do Equador.

O número de óbitos, contudo, tende a crescer na próxima atualização devido à investigação de mortes possivelmente ligadas à dengue. Nesta seara, São Paulo lidera com 51 investigações, seguido por Goiás, que tem 30, e Maranhão, com 9 apurações. Até agora, o país tem 53 mil testes positivos.

O Brasil encerrou 2025 com 1.821 pessoas mortas pela infecção causada pelo Aedes aegypti. Mais de 1,4 milhão de pessoas tiveram a doença.

Trata-se de redução significativa após a crise epidemiológica de 2024, pior ano da série histórica, que teve quase 6 milhões de infecções e 6.300 mortes.

Ainda que os maiores registros ocorram entre março e abril, se a média persistir, o país encerrará 2026 com mortes em queda novamente.

A arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais.

Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações -dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos- deve procurar uma unidade de saúde.

Passada a fase crítica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito.

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