Em ano eleitoral, rivais de Netanyahu endurecem contra Irã – 16/03/2026 – Mundo

Em ano eleitoral, rivais de Netanyahu endurecem contra Irã -


Mesmo para os padrões da política israelense em tempos de guerra, tratava-se de um conjunto de propostas belicistas: Tel Aviv deveria destruir todos os campos de petróleo do Irã e arrasar a infraestrutura energética da ilha que funciona como o principal centro de exportação de petróleo do regime.

Mas as exigências não vieram do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu nem de seus aliados ultranacionalistas, mas de Yair Lapid, o apresentador de televisão e ex-premiê de cabelos grisalhos que lidera o partido centrista Yesh Atid e obtém grande parte de seu apoio de bastiões progressistas, como Tel Aviv.

A mensagem mostra que, para todos os partidos sionistas no governo e na oposição de Israel, a disputa não é sobre confrontar ou não o Irã, mas sobre quem conduzirá a guerra melhor do que Netanyahu.

A ofensiva de Israel tem um apoio público maior do que quase qualquer outra questão na fragmentada política do país —mesmo após dois anos e meio de combates em múltiplas frentes que interromperam a vida cotidiana de milhões de israelenses.

Embora os partidos árabes de Israel se oponham veementemente à guerra com o Irã, as pesquisas sugerem que mais de 90% dos israelenses judeus a apoiam, e os grupos de oposição sionistas do país aderiram em uníssono.

“Nunca houve um debate ideológico em Israel sobre como lidar com o Irã”, diz Yohanan Plesner, chefe do Instituto da Democracia de Israel, um centro de pesquisa com sede em Jerusalém. “O Irã tem como objetivo destruir o Estado de Israel e está tentando adquirir armas nucleares.” O apoio à luta contra o Irã foi uniforme, segundo ele.

Apesar de sua popularidade, a guerra ainda não alterou as pesquisas para a eleição parlamentar de Israel, que deve ser realizada até outubro. A maioria dos levantamentos ainda coloca a coalizão de ultradireita de Netanyahu a pelo menos cinco cadeiras da maioria no Knesset, que tem 120 cadeiras, e a cerca de dez cadeiras das 64 que conquistou em 2022.

Mas tanto aliados quanto opositores do premiê esperam que ele faça da luta contra o arqui-inimigo de Israel —e do assassinato do aiatolá Ali Khamenei— uma parte importante de sua campanha, enquanto busca se recuperar dos danos causados à sua reputação pelas falhas catastróficas na segurança que permitiram o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

“É claro que tudo pode mudar se os resultados da guerra forem menores do que o esperado, ou se a guerra se prolongar”, diz uma figura importante do partido Likud, de Netanyahu. “Mas se ele aprovar o Orçamento [no final deste mês], terá todas as cartas na mão (…) e talvez possa anunciar eleições para o final de junho ou início de julho, caso os resultados da guerra sejam positivos.”

Políticos da oposição apontam rapidamente que a guerra de 12 dias do ano passado com o Irã não melhorou a posição da coalizão de Netanyahu: embora o Likud tenha tido um breve aumento nas pesquisas, isso ocorreu às custas de seus parceiros de coalizão, deixando o grupo ainda longe da maioria.

“Os britânicos votaram para tirar [o ex-premiê britânico Winston] Churchill do poder após a Segunda Guerra Mundial. As eleições são sobre o futuro, sobre o que vem a seguir, e não sobre o que já passou”, diz um membro da oposição. “Mesmo que tudo corra perfeitamente bem [nesta guerra], não estou convencido de que isso lhe garanta a vitória.”

Mesmo assim, os partidos de oposição de Israel já começaram a procurar maneiras de criticar a gestão da ofensiva por Netanyahu, embora continuem a expressar apoio à guerra em si.

Yair Golan, ex-vice-chefe do Exército e atual líder do partido de esquerda Democratas, argumenta que os ganhos militares de Israel não significarão nada se não forem traduzidos em vitórias diplomáticas. Já Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro de direita e cotado para ser um dos principais rivais de Netanyahu, criticou o governo por cortar o financiamento de municípios do norte atingidos pelos foguetes do Hezbollah enquanto continuava canalizando verbas para aliados ultraortodoxos.

Assim como Lapid, Avigdor Lieberman, líder do partido de direita Israel Beiteinu, defende que Israel deveria ser mais agressivo militarmente.

“Basicamente, todos estão se esforçando para encontrar um pequeno nicho em que possam parecer mais linha-dura do que Netanyahu em relação à guerra ou acusá-lo de não terminar o trabalho”, diz Dahlia Scheindlin, pesquisadora de opinião pública e analista política. “Ou eles fazem isso porque é assim que pensam, ou é a única coisa que acham que o público israelense aceitará.”

Analistas dizem que a influência da guerra na iminente eleição dependerá, em última análise, de como ela terminar. Apesar do sucesso de Tel Aviv em dizimar a liderança do Irã e destruir suas capacidades de mísseis balísticos, seria difícil vender como uma vitória decisiva uma guerra prolongada que deixe o regime no poder. O aumento das baixas israelenses também poderia mudar a visão do público sobre a campanha.

Plesner diz que também espera que as profundas divisões sobre a identidade nacional que dominaram a política israelense antes da guerra desempenhem um papel central. Netanyahu, afirma ele, tentará retratar a oposição como um grupo a serviço da minoria árabe de Israel. A oposição, por sua vez, provavelmente o atacarão por não ter acabado com a isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos —uma questão que se tornou cada vez mais controversa à medida que as guerras de Israel se prolongaram.

“Ambos os lados tentarão inflamar suas bases alertando sobre esses supostos perigos internos”, diz ele. “Portanto, embora tenhamos lidado principalmente com ameaças à segurança externa [nos últimos anos], ainda acho bastante provável que as questões que determinarão a eleição sejam internas.”

Mas Plesner acrescenta que a natureza imprevisível da política israelense —a última eleição foi decidida por cerca de 30 mil votos— significa que o impacto da guerra com o Irã ainda pode ser crucial. “A política é decidida na margem”, afirma. “Mesmo que o resultado da guerra seja uma mudança de apenas alguns pontos percentuais de um lado para o outro, isso poderá ser significativo.”



Fonte CNN BRASIL

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