Joe Kent, um dos principais funcionários de combate ao terrorismo dos Estados Unidos, renunciou nesta terça-feira (17), citando sua oposição à guerra no Irã e o que ele disse ser a influência de Israel sobre as políticas do governo Donald Trump.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em andamento no Irã“, escreveu Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, em uma publicação nas redes sociais.
“O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano.”
A publicação de Kent incluía uma carta de renúncia endereçada ao presidente Trump, na qual ele argumentava que autoridades israelenses arrastaram os EUA para o conflito com o Irã.
Na carta, ele menciona o que considera uma “campanha de desinformação” conduzida por altos funcionários israelenses e pela imprensa, que, segundo ele, teria minado a plataforma “America First” de Trump e incentivado sentimentos favoráveis à guerra.
Veterano da Guerra do Iraque, Kent afirmou que os argumentos a favor de um ataque ao Irã, bem como promessas de uma vitória rápida, lembram o debate que antecedeu a invasão do Iraque em 2003.
Kent também mencionou sua esposa Shannon, uma criptologista militar que foi morta na Síria.
“Como veterano que participou de 11 missões de combate e como viúvo, que perdeu sua amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em um conflito que não traz benefícios ao povo americano nem justifica o custo em vidas”, escreveu.
Kent tem sido um conselheiro-chave de Tulsi Gabbard, a diretora de inteligência nacional, e tem sido uma voz dentro do governo defendendo uma política externa mais contida.
Segundo reportagem do jornal The Guardiam, o assessor de segurança nacional da Grã-Bretanha, Jonathan Powell, que participou das conversas finais entre os EUA e o Irã, avaliou que a proposta feita por Teerã sobre seu programa nuclear era significativa o suficiente para evitar uma guerra.
Segundo fontes, Powell considerou que houve progresso em Genebra e que o acordo proposto pelo Irã foi “surpreendente”. Dois dias após o fim das negociações, e depois de ter sido marcada uma nova rodada de conversas técnicas em Viena, os EUA e Israel lançaram o ataque contra o país persa.




