Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor – 18/03/2026 – Mundo

Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor -


A morte de Ali Larijani, presidente do Conselho Supremo de Segurança Nacional e homem mais poderoso do Irã, é um duro golpe para o regime islâmico iraniano, mas é improvável que mude a estratégia de guerra do país persa.

Essa é a visão do iraniano Mohsen Milani, professor de política comparada na Universidade do Sul da Flórida e autor do livro recém-lançado “Iran’s Rise and Rivalry with the US in the Middle East” (ascensão do Irã e rivalidade com os EUA no Oriente Médio, sem publicação no Brasil).

A morte de Ali Larijani pode fortalecer a ala linha-dura do regime no Irã?

Foi um golpe para a República Islâmica, mas é improvável que mude a estratégia de guerra do Irã. Ele era um insider por excelência: membro de uma das famílias políticas mais influentes do Irã, que cultivou laços estreitos com a Guarda Revolucionária enquanto construía uma ampla rede de aliados.

Seus apoiadores o elogiam como um operador astuto e pragmático, conhecido por sua capacidade de manobra, construção de coalizões e adaptabilidade estratégica. Seus críticos, no entanto, o acusam de ter desempenhado um papel central na morte de milhares de manifestantes durante recentes protestos.

Veremos se ele será substituído por uma figura mais moderada ou mais linha-dura no Conselho Supremo, isso nos dará uma indicação inicial da direção que a República Islâmica provavelmente tomará no futuro imediato.

Quais foram as suposições de Donald Trump que o levaram a pensar que esta poderia ser uma guerra breve?

Os EUA fizeram várias suposições imprecisas sobre a República Islâmica. Uma delas era que o sistema dependia de um homem só e que, ao decapitar sua liderança máxima, o governo entraria em colapso rapidamente. Do ponto de vista operacional, a campanha de decapitação foi muito bem-sucedida e eliminou o aiatolá [Ali Khamenei]. No entanto, o governo não entrou em colapso e um novo líder, o filho de Khamenei, rapidamente o substituiu.

Alguns analistas até imaginaram cenários semelhantes ao da Venezuela. Outros sugeriram uma replicação do modelo sírio. Nenhum desses modelos se materializou no Irã, pelo menos até agora.

A República Islâmica é muito mais institucionalizada e resiliente do que muitos supõem. Suas instituições políticas e de segurança foram deliberadamente projetadas após a revolução de 1979 para resistir tanto à oposição doméstica quanto à pressão externa. O sistema provou ser melhor em sobreviver do que em governar.

O Irã agora está confrontando a única superpotência do mundo e o poder militar mais formidável do Oriente Médio. Sob essas circunstâncias, devemos esperar desdobramentos imprevisíveis e não intencionais tanto dentro do Irã quanto em toda a região.

Em seu livro, o senhor discute a relação entre os curdos iranianos e iraquianos e o regime dos aiatolás. O senhor acha que o plano de armar os curdos para atuarem como tropas terrestres dos EUA no Irã se materializará? E como isso seria percebido pelos 90% da população iraniana que não é curda?

Proteger a integridade territorial do Irã é uma das poucas questões que une os iranianos para além das divisões políticas e ideológicas, incluindo muitos opositores da República Islâmica. Se a população em geral passar a acreditar que o apoio dos EUA a grupos curdos poderia levar à separação da região do Curdistão do Irã, isso poderia desencadear uma forte reação nacionalista.

Se o envolvimento curdo for visto como parte de um esforço mais amplo para democratizar o país enquanto preserva a integridade territorial do Irã, pode ganhar maior aceitação. Mas se for visto como um passo em direção à fragmentação, é provável que provoque resistência de grande parte da população não curda.

Existem grupos de oposição exilados que teriam a legitimidade e o poder para chegar ao poder no Irã?

Há um descontentamento considerável com a República Islâmica entre um segmento significativo da população. Esse sentimento é compreensível. Má gestão, corrupção e sanções paralisantes dos EUA prejudicaram de forma severa a economia do Irã e baixaram o padrão de vida de muitos iranianos. Mas reconhecer a frustração generalizada é uma coisa; traduzi-la em ação política coletiva eficaz capaz de mudar o regime é outra bem diferente.

Derrubar um sistema entrincheirado requer muito mais do que raiva pública. Exige organização eficaz, enormes recursos financeiros, uma visão clara e popular para o futuro e uma liderança que a população possa aceitar. No momento, a oposição, tanto dentro quanto fora do Irã, carece desse nível de coesão e unidade, embora isso possa mudar.


Raio-X | Mohsen Milani

Nascido no Irã nos anos 1950, Mohsen Milani deixou o país persa na adolescência e se radicou nos Estados Unidos, onde se tornou cientista político. Fez doutorado na Califórnia e foi contratado como professor da Universidade do Sul da Flórida, onde fundou o Centro de Estudos Diplomáticos e Estratégicos da instituição. É casado e tem três filhas.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor -

Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor – 18/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

1773889736_177386120469baf95495a92_1773861204_3x2_lg.jpg

Trump veta novos ataques de Israel a megacampo de gás – 18/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

naom_69bb343cce898.webp.webp

Futebol: Gio Garbelini é acusada de ofensa racista em jogo na Espanha

março 19, 2026

Raphinha marca dois em goleada do Barcelona na Liga dos

Raphinha marca dois em goleada do Barcelona na Liga dos Campeões

março 19, 2026

Veja também

Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor -

Irã: Morte de Larijani não muda estratégia, diz professor – 18/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

1773889736_177386120469baf95495a92_1773861204_3x2_lg.jpg

Trump veta novos ataques de Israel a megacampo de gás – 18/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

naom_69bb343cce898.webp.webp

Futebol: Gio Garbelini é acusada de ofensa racista em jogo na Espanha

março 19, 2026

Raphinha marca dois em goleada do Barcelona na Liga dos

Raphinha marca dois em goleada do Barcelona na Liga dos Campeões

março 19, 2026