Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão – 19/03/2026 – Mundo

Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão


O presidente Donald Trump e a primeira-ministra Sanae Takaichi, do Japão, construíram uma relação próxima nos últimos meses, criando laços em torno do beisebol e de valores conservadores compartilhados —e trocando elogios mútuos mesmo enquanto divergem em questões como comércio.

Essa amizade está prestes a passar por um grande teste na quinta-feira (19), quando Takaichi visita a Casa Branca pela primeira vez.

Rejeitado pelos aliados europeus, Trump deve usar a reunião de cúpula para pressionar o Japão a enviar caça-minas e forças marítimas para ajudar na reabertura do estreito de Hormuz. Ele já aumentou a pressão, sugerindo que o Japão deve aos Estados Unidos por anos de ajuda na defesa e que Tóquio precisa agir por causa de sua forte dependência do petróleo do Oriente Médio.

As exigências colocaram Takaichi, uma conservadora linha-dura que se tornou a primeira mulher a liderar o Japão como primeira-ministra, em uma posição difícil. Ela está limitada não apenas pela Constituição pacifista do Japão, mas pela esmagadora oposição pública: apenas 9% dos japoneses apoiam o ataque americano-israelense ao Irã, segundo pesquisa recente do jornal Asahi Shimbun.

Agora Takaichi enfrenta a delicada tarefa de encontrar uma maneira de sinalizar apoio a Trump sem se envolver na guerra. Ela deve fazer isso no fórum de alta pressão da Casa Branca, durante almoço e jantar com um presidente que parece cada vez mais impaciente e ressentido.

“Esta deveria ser uma cúpula bem simples e fácil”, disse Zack Cooper, pesquisador sênior do American Enterprise Institute em Washington. “Agora é exatamente o que os japoneses não querem: uma situação imprevisível sem respostas óbvias.”

A crise do Irã pode atingir o Japão com força; o país importa quase toda a sua energia, e cerca de 95% do seu petróleo vem do Oriente Médio —um fato que Trump tem destacado com entusiasmo nos últimos dias.

Os Estados Unidos são o principal aliado do Japão, e Takaichi conta com Trump para ajudar a conter a crescente influência militar e econômica da China na Ásia. Enquanto aliados europeus buscaram abertamente se distanciar do conflito, Takaichi tem sido mais ambígua.

Ela disse que seria “legalmente difícil” para o Japão ordenar que sua marinha participasse de operações de segurança no mar, e que a situação do Irã ainda não constituía uma situação de “ameaça à sobrevivência” do Japão que permitiria uma resposta militar. Mas ela também disse que está considerando “o que podemos fazer”. E se absteve de comentar sobre a legalidade do ataque americano-israelense.

Trump parece estar de olho na frota de caça-minas avançados do Japão, que poderia ajudar a escoltar petroleiros no estreito de Hormuz. O Japão os enviou ao Golfo Pérsico em 1991 —a primeira missão militar no exterior desde o fim da Segunda Guerra Mundial— mas apenas depois que a missão de combate americana havia terminado.

Em 2019, durante seu primeiro mandato, Trump pressionou o Japão a desempenhar um papel mais ativo na proteção de seus interesses no Oriente Médio após uma série de ataques a petroleiros na região. O Japão respondeu enviando forças de defesa marítima para patrulhar rotas de navegação e coletar inteligência. Mas evitou o estreito de Hormuz, numa aparente tentativa de não dar a impressão de que estava ao lado dos Estados Unidos contra o Irã, com quem o Japão mantém relações amigáveis há muito tempo.

A questão do envio de militares ao exterior é delicada no Japão, onde as memórias da Segunda Guerra Mundial ainda persistem. O pacifismo está consagrado em sua Constituição, com a cláusula conhecida como Artigo 9 fazendo uma renúncia completa à guerra.

Em 2015, o primeiro-ministro Shinzo Abe —amigo tanto de Trump quanto de Takaichi— facilitou o envio de militares ao exterior, revisando a lei para permitir missões de combate no exterior ao lado de tropas aliadas em nome da “autodefesa coletiva”.

Mas a situação deve ser considerada uma ameaça à sobrevivência do Japão. Alternativamente, a lei permite que os militares sejam enviados ao exterior —mas apenas depois que os combates tenham cessado.

Parlamentares japoneses levantaram preocupações de que os ataques dos Estados Unidos e de Israel violam o direito internacional, e alguns comentaristas pediram que Takaichi adote uma abordagem neutra.

“O envio de navios-patrulha japoneses quase certamente seria visto como tomar partido dos Estados Unidos, prejudicando a posição do Japão na comunidade internacional”, dizia um editorial desta semana no Mainichi Shimbun, um importante jornal japonês.

Trump e Takaichi tiveram uma relação fácil quando se encontraram pela primeira vez em outubro passado, em Tóquio, discutindo sua admiração compartilhada por Abe, que foi assassinado em 2022.

A cúpula desta semana deveria ser uma chance de reacender essa química. Autoridades japonesas esperavam usar o encontro para persuadir Trump a evitar fazer um acordo amplo com o líder da China, Xi Jinping, que colocaria em risco a segurança dos aliados na região. O Japão também está ansioso para destacar investimentos nos Estados Unidos e esforços conjuntos para reduzir a dependência da China em terras raras.

Takaichi buscará avaliar o cronograma e a estratégia de Trump para a guerra, disseram analistas, dado o dano que ela poderia causar à economia e à sociedade japonesas. O Japão está preocupado que o conflito possa afetar sua segurança se os Estados Unidos continuarem a transferir navios de guerra, mísseis e defesas aéreas da Ásia para o Oriente Médio.

Jeffrey W. Hornung, especialista em Japão na Rand Corporation, um grupo de pesquisa em Washington, disse que Takaichi enfrentará o desafio de responder em tempo real às demandas de Trump.

“Se Takaichi for lá e disser: ‘Isso é uma grande preocupação para nós’, e Trump se virar e disser: ‘E o que vocês vão fazer a respeito?’ — não sei como o Japão responde a essa pergunta”, disse ele.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes

março 19, 2026

naom_667f1d25ae3b5.webp.webp

Regras do ECA Digital acabam com desordem normativa, diz Gilmar Mendes

março 19, 2026

Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão

Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão – 19/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

177384639169babf77bb8e2_1773846391_3x2_rt.jpg

Invasão de Israel no Líbano evoca fantasma da ocupação – 19/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

Veja também

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes

março 19, 2026

naom_667f1d25ae3b5.webp.webp

Regras do ECA Digital acabam com desordem normativa, diz Gilmar Mendes

março 19, 2026

Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão

Irã: Guerra tensiona relação entre Donald Trump e o Japão – 19/03/2026 – Mundo

março 19, 2026

177384639169babf77bb8e2_1773846391_3x2_rt.jpg

Invasão de Israel no Líbano evoca fantasma da ocupação – 19/03/2026 – Mundo

março 19, 2026