Trump mostrou a Kim que desnuclearização não vale a pena – 24/03/2026 – Mundo

Trump mostrou a Kim que desnuclearização não vale a pena


Não que houvesse grandes esperanças de que em algum momento o ditador Kim Jong-un, agora “reeleito” como líder supremo da Coreia do Norte, toparia conversar com qualquer um sobre a possibilidade de seu país aderir a um programa de desnuclearização.

Mas, se havia uma chance, mesmo que distante, a recente ofensiva contra o Irã por Israel e Estados Unidos em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano foi a pá de cal na oportunidade.

Prestes a completar um mês, o conflito começou dois dias após representantes de Washington e Teerã se reunirem em Genebra, na Suíça, para debater o enriquecimento de urânio pelo país persa. Enquanto americanos pediam o fim da empreitada atômica, iranianos defendiam o uso pacífico da tecnologia. Mesmo sem atingir consenso, foi anunciado progresso.

Uma nova reunião ocorreria na semana seguinte em Viena, na Áustria. Mas o ataque a Teerã interrompeu tudo —e mostrou que, para Washington, a via diplomática não impede o uso da força.

Donald Trump vendeu a ofensiva como outra forma de pressão sobre o programa nuclear iraniano, argumentando que as conversas não estavam caminhando rumo ao objetivo final de Washington. Na ocasião, Pyongyang disse que o comportamento de “gângster” dos americanos era esperado e que a invasão era ilegal, mas não chegou a mencionar o impasse nuclear.

Questão maior é que o ataque deixou para os norte-coreanos a clara mensagem de que a posse de armas nucleares é precisamente o trunfo do país para impedir que tenham o mesmo destino de outros rivais dos EUA.

Sem querer, Trump mandou a mensagem para Kim —e ele a recebeu. Em pronunciamento logo após sua recondução ao cargo, o ditador afirmou que a Coreia do Norte fortalecerá permanentemente as forças nucleares como forma de autodefesa. Disse que o desarmamento não será trocado por benefícios econômicos, frustrando os esforços americanos de que Pyongyang abandonasse o programa nuclear em troca de alívio em sanções.

“A realidade mundial atual, onde a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são violados impiedosamente pela força e violência unilaterais, ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um Estado”, disse ele, segundo a agência estatal KCNA.

Acadêmicos avaliam que Kim entende que o Irã está sob mira porque não tinha um arsenal nuclear, em uma análise respaldada por falas de Trump, de que faria de tudo para impedir que Teerã desenvolvesse armas do tipo.

Para Pyongyang, o Irã é mais um ator de uma sequência de casos em que regimes adversários dos EUA sem dissuasão nuclear robusta ficam expostos à coerção militar.

O exemplo mais recente é este, mas o Iraque e a Líbia, para o ditador, são outros. Após o lançamento-teste de uma bomba de hidrogênio em janeiro de 2016, a agência estatal norte-coreana afirmou que países devem possuir um arsenal do tipo para garantir soberania e dignidade em uma ordem internacional onde vigora “a lei da selva”.

Assim como outros presidentes americanos queriam impedir que países do Oriente Médio tivessem em suas mãos armas de destruição em massa, Trump flerta com Kim para atraí-lo a uma mesa de negociação em que poderá propor novamente a desnuclearização. A conversa pode até acontecer, mas não nos termos de Washington.

Em outubro do ano passado, em sua passagem pela Coreia do Sul, o americano fez um novo aceno ao ditador, reafirmando o desejo de se encontrar com ele e jogando louros sobre o que chamou de “ótima relação”. A fala ocorreu cerca de um mês após o norte-coreano ter dito, pela primeira vez, que aceitaria uma conversa “cara a cara” caso os EUA abandonassem “a sua busca absurda por desnuclearização”.

No discurso mais recente, porém, Kim foi além. Não se contentou em reafirmar a recusa, declarando categoricamente que haverá investimento no programa atômico.

Mesmo que o ditador aceite sentar-se com Trump, não negociará o desmonte do arsenal que vê como condição de sobrevivência do regime. Buscará, por outro lado, o reconhecimento de uma realidade já consolidada: a de que a Coreia do Norte é uma potência nuclear e exige ser tratada como tal.

Para um país já isolado por sanções e que há anos paga o preço internacional para ter escolhido o caminho nuclear, renunciar ao ativo que considera sua apólice de seguro nunca pareceu uma alternativa real. Se antes a negociação por desnuclearização já era remota, agora se tornou, para Pyongyang, uma proposta sem credibilidade.



Fonte CNN BRASIL

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