
A situação no Oriente Médio após os ataques ao Irã e contra-ataques do país estão criando um clima “extremamente perigoso e imprevisível”. A declaração é do alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.
Ele discursou num debate urgente sobre o conflito no Irã e países do Golfo Pérsico, realizado nesta quarta-feira, em Genebra, sede do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Volker Turk lembra que mais de três semanas após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, o conflito está se espalhando e se intensificando na região e além, com os civis sofrendo as consequências mais graves.
Após a ofensiva, o Irã contra-atacou bases militares dos Estados Unidos, Israel e vários países do Golfo Pérsico.
Para o líder dos Direitos Humanos na ONU os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior, flertando com uma catástrofe sem precedentes.
O Irã lançou um grande número de drones e mísseis contra bases militares, áreas residenciais e instalações de energia nesses Estados do Golfo e na Jordânia. Ataques e interceptações causaram danos terríveis a civis, incluindo dezenas de mortes e feridos.
Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos
Portos, instalações de energia, aeroportos, infraestrutura hídrica e instalações diplomáticas sofreram danos, interrompendo serviços essenciais e aumentando os riscos para todos os civis.
Turk ressalta que muitos dos ataques neste conflito levantam sérias preocupações sob o direito internacional, que proíbe ataques contra civis e suas infraestruturas, bem como ataques contra alvos militares onde os danos a civis sejam desproporcionais. Ele citou ramificações para outros países da região, os Territórios Palestinos e para os civis no Líbano, que estão “presos em um desastre humanitário e de direitos humanos.”
Foram mais de 1 mil mortos nas últimas três semanas incluindo crianças, mulheres e profissionais de saúde.
Irã e o movimento Hezbollah, no Líbano, continuam lançando mísseis e drones contra Israel com ramificações sérias em toda a região.
O alto-comissário da ONU citou a interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, causada pelo Irã, está afetando as cadeias de suprimentos globais, com graves implicações para algumas das pessoas mais pobres do mundo.
Combustíveis fósseis, medicamentos, alimentos e fertilizantes são apenas alguns dos bens vitais que estão retidos no mar. Isso está interrompendo os mercados e o fornecimento globais de energia e tem o potencial de criar sérias crises de fome e saúde. O Programa Mundial de Alimentos alerta que quase 45 milhões de pessoas a mais podem cair em situação de fome aguda, a menos que o conflito termine em breve.
Fumaça sobe acima da capital iraniana, Teerã.
Há tentativas em andamento para mitigar o fechamento do Estreito, liberando reservas de petróleo e aliviando as sanções. Mas elas não fizeram uma diferença significativa e as consequências mais amplas permanecem imprevisíveis.
Os prêmios de seguro e os custos do combustível marítimo estão aumentando, elevando os preços em todos os setores e em todo o mundo. O conflito já causou perdas econômicas de cerca de US$ 63 bilhões em toda a região árabe.
Volker Turk finalizou alertando para o potencial desta crise envolver países além-fronteiras e em todo o mundo. E para ele, a única maneira garantida de evitar isso é pôr fim ao conflito.
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