Dólar cai e Bolsa sobe mais de 1% após Trump citar progresso em negociações com o Irã

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra queda expressiva nesta quarta-feira (25), com investidores novamente atentos a uma possível trégua na guerra do Irã. O movimento acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o país está tendo progresso nas negociações com o Irã.

No noticiário local, destaque para nova pesquisa AtlasIntel sobre a eleição presidencial de outubro, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT).

Às 14h09, a moeda norte-americana caía 0,59%, aos R$ 5,223.

No mesmo horário, a Bolsa avançava 1,56%, a 185.356 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco (na máxima, atingiu 186.401 pontos, alta de 2,13%). Nos Estados Unidos, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subiam em bloco, com altas de até 0,89%.

Na terça-feira (24), Trump falou em progresso nas negociações com o Irã. Segundo o presidente norte-americano, Teerã teria aceitado fazer uma importante concessão para firmar um acordo de paz.

“Eles vão fazer um acordo. Na verdade, eles fizeram algo ontem que foi incrível, eles nos deram um presente, que chegou hoje, e foi um presente muito grande, com um valor monetário tremendo. Não vou dizer que presente é esse, mas foi um prêmio muito significativo, que eles falaram que iam nos dar e nos deram. Isso significou uma coisa para mim: que estamos lidando com as pessoas certas”, disse o republicano na Casa Branca.

Segundo o jornal New York Times, autoridades do governo americano afirmaram que os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra. O documento foi entregue por meio do Paquistão.

Em paralelo, Trump ordenou o envio de cerca de 2.000 paraquedistas ao Oriente Médio, segundo funcionários do Departamento de Defesa disseram ao mesmo jornal.

Nesta quarta-feira, o Irã voltou a negar quaisquer negociações entre os países. Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse que uma trégua não está no horizonte e que Washington estaria “negociando consigo mesmo”.

Apesar das negativas, os investidores se apegam à esperança de que a guerra possa ter um desfecho, com a retomada do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a cair 6,76% durante o pregão e se mantém estável abaixo dos US$ 100.

Para a Ágora Investimentos, discussões sobre um eventual cessar-fogo na guerra no Irã impulsionam os mercados acionários mundo afora. “Entretanto, enquanto o conflito não termina efetivamente, persistem os temores inflacionários e juros elevados por mais tempo”, diz.

Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo em momento de aversão global ao risco. “Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês.”

O pregão carrega uma sensação de déjà vu para analistas. Na segunda-feira (23), em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que EUA e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.

Ele também recuou de ameaças de destruir usinas de energia iranianas, afirmando que deu instruções para adiar por cinco dias quaisquer ataques contra as instalações. No dia, o dólar fechou em forte recuo de 1,31%, a R$ 5,241, enquanto a Bolsa avançou 3,24%, a 181.931 pontos.

Na terça-feira, contudo, o conflito no Oriente Médio voltou a escalar em meio a ataques de Israel a instalações de gás iranianas. Horas depois, Teerã lançou uma nova onda de mísseis contra Tel Aviv.

A moeda americana encerrou o dia em alta de 0,24%, cotada a R$ 5,254.

“A ausência de sinais concretos de desescalada, combinada com declarações mais duras por parte de autoridades iranianas e a continuidade dos ataques na região, leva o mercado a reprecificar um cenário de conflito mais prolongado, com impacto direto sobre os preços de energia”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Com a restrição da oferta de petróleo, o mercado precifica um repique na inflação global por causa do aumento dos preços de combustíveis. Essa percepção já afeta, inclusive, decisões de juros ao redor do mundo -inclusive no Brasil.

Em ata divulgada nesta terça, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que, diante do novo contexto imposto pela guerra, a duração e a intensidade do ciclo de queda da Selic serão decididas ao longo do tempo.

O colegiado não sinalizou passos futuros e deixou a próxima decisão em aberto. A ideia do Copom é ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito antes de definir quais serão os movimentos seguintes. A próxima reunião está marcada para 28 e 29 de abril.

“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, afirmou.

O Copom iniciou na última quarta-feira (18) o ciclo de queda de juros e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano.

Ainda no cenário doméstico, investidores seguem atentos ao cenário político.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em intenções para um eventual segundo turno, revelou pesquisa AtlasIntel/Bloomberg nesta quarta. O petista segue na liderança nos cenários de primeiro turno.

Nas quatro simulações de primeiro turno em que Lula e Flávio aparecem como candidatos, o petista soma 46% das intenções de voto em todas elas, ao passo que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem entre 36% e 42%.

Na simulação de segundo turno, Flávio tem 47,6% e Lula soma 46,6%. A margem de erro do levantamento é de 1 ponto-percentual.

Leia Também: Lula é favorito, mas máquina que ele comanda está fazendo fumaça, diz Afif



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