Como seria a invasão dos EUA da ilha de Kharg – 25/03/2026 – Mundo

177447825369c463ad8ab00_1774478253_3x2_rt.jpg


As tropas americanas se aproximam da ilha de Kharg, voando baixo em aeronaves tiltrotor e helicópteros. Ao pousar, elas se espalham pelo vital centro de exportação de petróleo, tudo isso sob fogo iraniano.

Os soldados permanecem próximos à infraestrutura petrolífera da ilha para se proteger, confrontando o regime iraniano com um dilema extraordinário: destruir as instalações de petróleo para atingi-los? Ou recuar, permitindo que Washington assuma o controle da espinha dorsal econômica do país persa?

Esse cenário pode se desenrolar nas próximas semanas enquanto os EUA avaliam se devem tomar a ilha de Kharg, onde 90% do petróleo da República Islâmica é carregado em navios-tanque.

O presidente Donald Trump disse nesta semana que esperava fechar um acordo com o Irã para encerrar as hostilidades. Mas, com milhares de fuzileiros navais americanos a caminho e paraquedistas prontos para serem enviados à região, a tomada de Kharg é uma opção considerada por Washington para ganhar vantagem sobre o regime iraniano caso a guerra se intensifique.

Tal movimento daria aos EUA o controle sobre praticamente todas as exportações de petróleo do Irã, permitindo que Washington corte a receita do regime sem destruir as instalações e potencialmente desencadear o caos nos mercados globais de petróleo.

Também daria aos EUA uma moeda de troca em qualquer esforço para forçar o Irã a deixar de bloquear estreito de Hormuz, com outras opções incluindo a captura de ilhas estratégicas no estreito para exercer controle sobre a via marítima.

De qualquer forma, colocar tropas em solo iraniano seria uma enorme escalada que exporia soldados americanos a mortes e poderia arrastar os EUA para um conflito estendido.

“Introduzir tropas no terreno é claramente uma operação mais arriscada para nossas próprias Forças”, disse Karen Gibson, ex-diretora de inteligência do Comando Central dos EUA, que supervisiona as operações militares americanas no Oriente Médio. Embora os EUA sejam capazes de tomar a ilha militarmente, ela disse, o desafio é “não apenas tomar a ilha, mas mantê-la, sob pressão contínua”.

Grande parte do poder de combate que agora atinge o território continental iraniano poderia ser direcionado para apoiar a operação, já que proteger essas tropas se tornaria a principal prioridade das Forças Armadas americanas, acrescentou ela.

Defensores de uma ação militar americana mais dura no Irã pediram a Trump que tome Kharg, com o senador republicano Lindsey Graham sugerindo que o regime “morreria na praia” sem suas exportações de petróleo.

Enquanto avalia as opções, o Pentágono está prestes a enviar milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada, a companhia de elite de paraquedistas do Exército. Eles podem ser mobilizados em até 18 horas para qualquer lugar do mundo.

O departamento também está enviando duas Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais (MEU, na sigla em inglês) para a região, cada uma com cerca de 2.200 fuzileiros. Uma delas, a 31ª MEU, está a caminho do Japão a bordo do USS Tripoli, um navio de assalto anfíbio otimizado para operações aéreas, e deve chegar à região no final desta semana.

O Departamento de Defesa também ordenou que o Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer —três navios liderados pelo USS Boxer, que transporta a 11ª MEU da Califórnia— vá para a região. Levará de três a quatro semanas para chegar.

Cada MEU possui um batalhão de infantaria, tropas de combate aéreo e um batalhão de logística de combate. Tanto o USS Tripoli quanto o USS Boxer transportam aeronaves tiltrotor V-22 Osprey. O USS Boxer também possui caças furtivos F-35 e embarcações que podem ser lançadas de seu convés de poço para transportar tropas e equipamentos até a costa.

Uma MEU seria suficiente para tomar e manter a ilha, segundo ex-oficiais militares americanos. “Esta é uma operação clássica dos Fuzileiros Navais. É a razão pela qual os Fuzileiros Navais existem”, disse Gibson. “Mas eles estariam fazendo isso sob pressão e sob fogo”, acrescentou ela.

Baixas entre as tropas americanas seriam praticamente certas. Kharg, uma ilha de cerca de 20 quilômetros quadrados localizada a 24 quilômetros da costa continental do Irã, está muito próxima do alcance dos mísseis, drones e artilharia remanescentes de Teerã.

O almirante aposentado James Stavridis disse que as tropas americanas poderiam “mantê-la indefinidamente, desde que a superioridade aérea e marítima permanecesse nas mãos da força de ocupação”. “Isso não é como a Segunda Guerra Mundial nas ilhas de Okinawa ou Iwo Jima em termos de tamanho e escala da força defensora”, disse Stavridis.

Assaltos anfíbios, pelos quais tropas lançam operações terrestres a partir de embarcações usando aeronaves ou embarcações menores, há muito estão incorporados no DNA institucional do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Essa doutrina foi forjada em algumas das batalhas mais custosas e decisivas do século 20, de Iwo Jima, na Segunda Guerra Mundial, a Inchon, durante a Guerra da Coreia.

Os EUA não realizam um desembarque anfíbio em grande escala sob bombardeio desde a batalha de Okinawa. Durante a invasão do Iraque em 2003, as tropas americanas usaram operações anfíbias para tomar terminais de petróleo na península de Al Faw, mas encontraram apenas resistência leve.

As forças americanas já atacaram as instalações militares na ilha de Kharg, atingindo mais de 90 alvos, incluindo instalações de armazenamento de minas navais e bunkers de armazenamento de mísseis. Esses ataques iniciais já podem ser a primeira fase da operação para tomá-la: preparando o campo de batalha.

Kalev Sepp, veterano das forças especiais americanas e ex-funcionário de Defesa, disse que antecipava que uma operação para tomar Kharg envolveria um ataque “breve e feroz” com munições de precisão contra as defesas remanescentes na ilha e no continente próximo. Isso seria seguido por um assalto aéreo para inserir tropas por helicóptero ou aeronave.

Seth Krummrich, ex-chefe de gabinete do Comando de Operações Especiais Central dos EUA, o comando responsável pelas operações especiais no Oriente Médio, disse que o objetivo seria “chocar, tomar o terreno e [fazer isso] o mais rápido possível”.

“A velocidade importa porque você não quer estar nas áreas expostas. Você vai querer se agarrar àquela infraestrutura petrolífera”, disse ele.

Usar a 82ª Divisão Aerotransportada, os Rangers do Exército e as operações especiais da Força Aérea também seriam opções porque “você poderia colocá-los diretamente no alvo para tomar o terreno e mantê-lo” antes da chegada dos fuzileiros navais, disse Krummrich. Eles também poderiam se juntar à operação depois que os fuzileiros tomassem a ilha.

Há duas maneiras pelas quais os fuzileiros navais poderiam desembarcar: por mar ou por ar. O USS Tripoli seria a plataforma mais provável para um assalto aéreo, no qual as tropas embarcariam em aeronaves V-22 e pousariam na ilha.

Por barco, fuzileiros navais e equipamentos seguiriam para a costa. O equipamento poderia incluir veículos blindados, artilharia, lançadores de foguetes HIMARS e defesas aéreas.

“Eles construirão uma cabeça de praia e então avançarão pela ilha”, disse Mark Cancian, coronel aposentado dos Fuzileiros Navais e ex-funcionário do Pentágono.

Entretanto, aproximar os navios da ilha de Kharg seria desafiador, exigindo subir pelo “corredor de tiro” que é o estreito de Hormuz, acrescentou ele. Dada a chance de que o Irã já tenha minado o estreito, entrar no Golfo também poderia exigir primeiro uma operação demorada de varredura de minas —potencialmente sob fogo iraniano.

Uma alternativa seria os navios permanecerem fora do Golfo e desembarcar forças apenas por ar. A 31ª MEU praticou assaltos nos quais seu batalhão de desembarque de infantaria voa até 1.600 km do navio até a costa —aproximadamente a distância que eles podem precisar percorrer.

Mas helicópteros e aeronaves provavelmente enfrentariam vulnerabilidade ao fogo terrestre.

Jonathan Hackett, veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, argumentou que as forças americanas poderiam, em vez disso, buscar se posicionar a partir de uma área de preparação em terra.

Isso exigiria bases, acesso e direitos de sobrevoo dos estados vizinhos do Golfo ou da Jordânia, o que colocaria esses países ainda mais na mira do Irã. A operação também exigiria capacidades de reabastecimento e logística.

“Isso apresentaria não apenas um desafio para esses requisitos de logística e sustentação de contingência —coisas como combustível, médicos e transporte de força de reação rápida— mas também os desafios diplomáticos de negociar bases, acesso e sobrevoo”, disse Hackett.

Uma alternativa a tomar Kharg seria capturar ilhas estratégicas no próprio estreito como parte de um esforço para controlar a via navegável. Larek, Qeshm e Hormuz seriam mais acessíveis de fora do Golfo e dariam aos EUA uma posição no estreito, mas ainda bem dentro do alcance de artilharia e drones.

Além da capacidade do Irã de resistir militarmente, no entanto, são os riscos de repercussões nos mercados de petróleo que poderiam minar a missão desde as primeiras horas.

Qualquer operação para tomar a ilha de Kharg seria “guerra econômica”, disse Krummrich, agora vice-presidente da empresa de segurança Global Guardian. Você está “lutando em um espaço completamente diferente e mais complexo”, acrescentou. Seria mais difícil justificar a ação para o povo americano com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro.

Cancian disse que tomar Kharg daria aos EUA muita “vantagem de negociação”. Mas não está claro se Teerã negociaria, em vez de escalar. Alguns especulam que o Irã poderia até tentar uma política de terra arrasada, destruindo sua própria infraestrutura petrolífera em vez de entregá-la a um adversário.

Isso significa que, mesmo que uma operação para tomar a ilha ocorresse perfeitamente, ela pode mudar pouco para a posição dos EUA na guerra com o Irã. “A grande questão”, disse Nick Reynolds, do Royal United Services Institute em Londres, “é: e depois?”



Source link

Leia Mais

Arthur Elias convoca seleção feminina para a Fifa Series

Arthur Elias convoca seleção feminina para a Fifa Series

março 26, 2026

177447825369c463ad8ab00_1774478253_3x2_rt.jpg

Como seria a invasão dos EUA da ilha de Kharg – 25/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

naom_6916fb0d1bfdd.webp.webp

Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

março 26, 2026

Decisão do STF permite penduricalhos de até 70% acima do

Decisão do STF permite penduricalhos de até 70% acima do teto

março 26, 2026

Veja também

Arthur Elias convoca seleção feminina para a Fifa Series

Arthur Elias convoca seleção feminina para a Fifa Series

março 26, 2026

177447825369c463ad8ab00_1774478253_3x2_rt.jpg

Como seria a invasão dos EUA da ilha de Kharg – 25/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

naom_6916fb0d1bfdd.webp.webp

Bolsonaro terá alta na sexta-feira e deve deixar hospital para prisão domiciliar

março 26, 2026

Decisão do STF permite penduricalhos de até 70% acima do

Decisão do STF permite penduricalhos de até 70% acima do teto

março 26, 2026