Os dois veleiros levando ajuda humanitária a Cuba que desapareceram a caminho da ilha foram localizados e seus tripulantes estão “a salvo”, disseram neste sábado (28) os organizadores do grupo, sem fornecer mais detalhes sobre o que houve com os barcos.
A Marinha do México havia lançado na quinta-feira (26) uma operação para encontrar as duas embarcações, que haviam partido uma semana antes da costa mexicana para levar alimentos, suprimentos médicos e outros itens de ajuda humanitária à ilha caribenha, que vive sob forte pressão de bloqueio do governo de Donald Trump.
“Estamos aliviados em confirmar que os dois veleiros foram localizados pela Marinha mexicana. As tripulações estão a salvo e os barcos continuam sua viagem para Havana”, disse um porta-voz do grupo, chamado “Comboio Nuestra América”, sem detalhar o que teria ocorrido para que os veleiros desaparecessem.
O grupo pretende transportar cerca de 50 toneladas de suprimentos médicos, alimentos, painéis solares e outros bens para Cuba. Com o aprofundamento do bloqueio dos Estados Unidos, em particular à entrada de petróleo na ilha, a crise energética e econômica tem se agravado e levantado alertas para a situação humanitária no país.
“O comboio segue em rota para completar sua missão: entregar ajuda humanitária urgentemente necessária ao povo cubano”, disse o porta-voz, que agradeceu às autoridades mexicanas e cubanas pelo “apoio, coordenação e profissionalismo”.
A Marinha mexicana ainda não confirmou ter localizado as duas embarcações.
O presidente americano impôs um bloqueio de petróleo a Cuba em janeiro, depois que capturou o então ditador venezuelano, Nicolás Maduro, principal aliado e fornecedor de combustível de Havana. Em seguida, passou a fazer pressão ao México, também fornecedor de combustível à ilha, ameaçando o vizinho com tarifas caso continuasse com o transporte do produto.
Trump afirmou nesta sexta-feira (27) que Cuba é o próximo alvo das Forças Armadas dos EUA. Discursando em uma conferência de investimentos saudita em Miami, o americano afirmou que as investidas contra a Venezuela, em janeiro, e o Irã foram um sucesso.
“Cuba é a próxima”, afirmou na Future Investment Initiative. Depois, disse brincando para repórteres “ignorarem o comentário” e voltou a repetir: “Cuba é a próxima”.
Em 16 de março deste ano, o presidente afirmou a jornalistas que “acredita que terá a honra de tomar Cuba” e que pode “fazer o que quiser” com a ilha. “Ouvi minha vida toda sobre os Estados Unidos e Cuba. ‘Quando é que os EUA vão fazer isso?’. Eu realmente acredito que terei a honra de tomar Cuba”, disse no Salão Oval da Casa Branca.
Cuba sofreu sete apagões nacionais desde 2024, dois deles no último mês. Parte importante do sistema energético da ilha depende do combustível para o funcionamento de usinas termelétricas. Além da alta escassez de alimentos e outros itens básicos, médicos da ilha relatam dificuldades para tratar de pacientes em hospitais que passam constantemente por quedas de energia.
No último domingo (22), o vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, afirmou que o país se prepara para uma possível agressão militar dos Estados Unidos, mas disse que está disposto a negociar com Washington.
“Nosso Exército sempre está preparado. E, de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar”, declarou Fernández de Cossio em entrevista à NBC. “Esperamos de verdade que isso não aconteça.”




