Série analisa como países vizinhos lidaram com ditaduras – 23/03/2026 – Mundo

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No dia 24 de março, a Argentina completa 50 anos do mais recente golpe militar de sua história, uma das datas mais carregadas de significado político na América Latina. Mais do que revisitar o passado, o momento serve também para ampliar o olhar sobre como outros países da região, especialmente Chile e Brasil, continuam lidando com sequelas de suas próprias ditaduras.

Afinal, não é à toa que o Chile acaba de eleger um presidente pinochetista e a Argentina tem um que é negacionista, para não mencionar o fenômeno do bolsonarismo no Brasil.

A série “Fronteiras da Memória” opta por, em vez de reconstituir cronologias ou repetir imagens já conhecidas, acompanhar pessoas, espaços e iniciativas que transformaram a memória da repressão em prática cotidiana —museus, centros de memória, intervenções artísticas e relatos pessoais.

O episódio dedicado ao Chile abre com imagens ainda difíceis de ver: pessoas atordoadas caminhando entre os escombros do Palácio de La Moneda, em 11 de setembro de 1973, enquanto se ouve, ao fundo, o último discurso de Salvador Allende e surgem as imagens finais antes de seu suicídio.

A partir daí, o documentário se desloca para o terreno da memória. O que se vê é um país que construiu, ao longo das décadas, uma rede de espaços dedicados a lembrar o golpe e a ditadura. Museus interativos e iniciativas espalhadas pelo território indicam que o trabalho de elaboração não ficou restrito a Santiago.

Em Paine, por exemplo, um jardim de pilastras homenageia os cerca de 3.000 mortos do período entre 1973 e 1990, com cada coluna representando uma vítima. Entre os personagens, um dos mais marcantes é o guardião do Estádio Nacional, que trabalha ali desde aquela época. O espaço foi utilizado como prisão durante a ditadura. Até hoje, ele conduz visitantes pelas salas onde se torturava e matava.

Em Valparaíso, onde a ação da Marinha deu início ao golpe, a memória surge em um dos relatos mais perturbadores da série: o do cineasta Pepe Rovano, filho de um agente da repressão que só descobriu sua verdadeira origem aos 35 anos e, desde então, aproximou-se das famílias das vítimas de seu próprio pai.

Já na Argentina, a série se debruça sobre o período de terror em que a repressão deixou entre 20 mil e 30 mil mortos e desaparecidos. No episódio, quem ganha voz são os descendentes das vítimas. Filhos e netos que hoje assumem, em grande medida, a tarefa iniciada pelas Mães e Avós da Praça de Maio: a busca por corpos, a restituição de identidades, a reconstrução da verdade.

Esse trabalho, em muitos casos, atingiu um nível elevado de profissionalização. Há pouco mais de um mês, por exemplo, a Equipe Argentina de Antropologia Forense identificou os restos de um homem idoso lançado ao rio da Prata durante a ditadura, trazendo alívio e comoção a seus familiares. Também existem as chamadas Desobedientes —mulheres que não sabiam de sua verdadeira origem na época, mas que eram filhas de brutais genocidas.

Nem tudo, porém, é apresentado de forma heroica. O episódio também evidencia o ressentimento em relação à aproximação de algumas dessas organizações com a política partidária recente, ou seja, a incomoda sobreposição entre militância política e a agenda de direitos humanos.



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