O Exército de Israel reconheceu na segunda-feira (23) ter matado por engano um agricultor israelense com disparos de artilharia perto da fronteira com o Líbano. É a primeira morte de um civil israelense registrada desde o início do conflito com o grupo armado Hezbollah.
Ofer Moskovitz, 60, produtor de abacate na cidade de Misgav Am, havia concedido entrevista à agência Reuters na semana passada e disse que estava preocupado com os combates na fronteira entre os países. “A cada cinco minutos é possível ouvir as bombas”, disse na ocasião.
O major-general (equivalente ao general de divisão no Brasil) Rafi Milo, que comanda a frente norte do Exército de Israel, confirmou o erro em um comunicado. “Moskovitz foi morto por fogo de nossas próprias forças durante uma operação cujo objetivo era justamente protegê-los”, afirmou.
O major-general disse ainda que as tropas abriram fogo para apoiar soldados que operavam no sul do Líbano, mas que ocorreram “problemas graves e erros operacionais”. “O disparo de artilharia foi realizado em um ângulo incorreto e não seguiu os protocolos exigidos”, afirmou.
“Como resultado, cinco projéteis de artilharia foram disparados contra a encosta de Misgav Am em vez de atingir o alvo inimigo.”
Inicialmente, o Exército havia atribuído o incidente a disparos vindos do território libanês ao divulgar o caso no domingo (22). Tel Aviv ampliou a ofensiva militar no sul do Líbano neste domingo (22) ao atacar a principal ponte que liga a região ao restante do país.
A explosão da passagem ocorreu após Tel Aviv ordenar que as Forças Armadas destruíssem todas as travessias sobre o rio Litani, no território libanês, e intensificassem a demolição de casas próximas à fronteira.
Moradores da região tiveram de fugir às pressas. O Exército israelense já havia destruído três pontes no sul do Líbano nos últimos dez dias. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou o bombardeio da ponte e afirmou em comunicado que os ataques contra a infraestrutura constituem “o prelúdio de uma invasão terrestre”.
O rio Litani marca o limite da zona-tampão em que o Hezbollah não deveria acessar segundo o cessar-fogo de 2024 firmado entre os rivais. Com operações terrestres em curso, a expectativa é que, na prática, Tel Aviv volte a ocupar a região, como já fez de 1982 a 2000.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando Hezbollah, aliado de Teerã, lançou ataques contra o Estado judeu em retaliação às operações de Washington e Tel Aviv contra o país persa.
Os ataques de Israel ao Líbano já mataram mais de 1.000 pessoas, incluindo quase 120 crianças, 80 mulheres e 40 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde libanês. As autoridades do país não fazem distinção entre civis e combatentes nesses números.
De acordo com Tel Aviv, dois soldados também foram mortos, além de Moskovitz.
O Exército israelense afirma que suas tropas estão fazendo o que descreve como manobras terrestres e operações direcionadas contra combatentes do Hezbollah e depósitos de armas no sul do Líbano.




