Destruição de avião-radar explicita fragilidades dos EUA – 30/03/2026 – Mundo

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A destruição de um precioso avião-radar Boeing E-3 Sentry dos Estados Unidos, atingido por um míssil iraniano em uma base na Arábia Saudita, explicita novamente fragilidades da maior potência militar da história no atual conflito com a teocracia de Teerã.

Isso ocorre mesmo com o Irã sendo bombardeado duramente pelos EUA e por Israel há pouco mais de um mês, o que é testemunho da capacidade adaptativa do país após ter sofrido na mão do Estado judeu durante a guerra de 12 dias do ano passado.

Sob pressão intensa e sem capacidade defensiva para derrotar os adversários, manteve capacidade de lançar retaliação com mísseis em lançadores móveis e drones, e segue causando estragos aos agressores.

O caso do E-3, atingido na base de Prince Sultan com outros três aviões de reabastecimento KC-135 Stratotanker na sexta-feira (27), é exemplar. A unidade militar não tem hangares reforçados de concreto, e as aeronaves foram atacadas ao ar livre.

No Bahrein, imagens de satélite mostram danos a proteções simples numa base onde ficavam aviões de patrulha marítima P-8 Poseidon, mas não se sabe se algum foi danificado.

É um problema da era dos drones. Na Guerra da Ucrânia, tanto Moscou quanto Kiev viu seus caças e bombardeiros virarem alvos fáceis para aparelhos simples operando a centenas ou milhares de quilômetros de suas bases.

Gambiarras pontuais foram adotas, como a pintura de aviões falsos no chão de pistas e o emprego de pneus sobre as asas de bombardeiros Tu-95 na Rússia —o padrão visual confunde os sensores de drones.

O caso do E-3 é especialmente dramático. Este é o principal modelo de alerta antecipado e controle da Força Aérea americana, que só tinha 16 deles disponíveis —antes da guerra iniciada há um mês, ao menos 6 foram deslocados pra Prince Sultan. Nunca um havia sido perdido devido a fogo inimigo.

O avião com número de cauda 81-0005, que havia sido identificado como baseado em Prince Sultan antes, teve a seção traseira e o radares destruídos no ataque.

Os danos estavam claros em fotografias geolocalizadas que circularam em redes sociais no fim de semana e imagens de satélites chinesas, divulgadas tanto pelo Irã quanto por canais comerciais de Pequim.

A base de Prince Sultan fica a cerca de 500 km da fronteira mais próxima do Irã, colocando-a facilmente na mira de mísseis balísticos de alcance intermediário da teocracia e de drones. Nesta guerra, ao menos 14 militares americanos já foram feridos em ações anteriores no local.

O E-3 é responsável por controlar o espaço aéreo e coordenar ação de caças e bombardeiros em um raio de 400 km. É uma aeronave antiga, com 70 unidades produzidas de 1977 a 1992, baseada no Boeing-707. Estima-se que cada um custe algo até US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) com modernizações.

Ele não tem substituto imediato na Força Aérea. O modelo mais recente que deveria entrar em operação no seu lugar, o Boeing E-7 Wedgetail, foi vendido a alguns aliados, mas não chegou a ser comprado pelos EUA ainda.

A perda do E-3 se soma à destruição de radares importantes dos EUA em bases na Jordânia, Qatar e Emirados Árabes Unidos, no começo da guerra, sinalizando que os iranianos sabem bem os alvos que procuram.

Aqui, o problema maior é da defesa antiaérea, que sofre para lidar com enxames de drones ou com ataques de mísseis balísticos com saturação, ou seja, vários projéteis caindo ao mesmo tempo contra um determinado ponto.

O conjunto de baixas de radares em solo e no ar pode limitar a coordenação de algumas ações aéreas, mas isso não é mensurável até agora. De todo modo, não se trata de declarar que o Irã venceu ou algo assim: na primeira Guerra do Golfo, em 1991, os vitoriosos EUA perderam 75 aviões, 42 deles em combate.

Até aqui, no atual conflito e antes da sexta, dois KC-135 haviam se chocado no ar sobre o Iraque, e um deles caiu, matando os seis tripulantes. Além disso, houve o abate de três F-15E por um piloto do Kuwait em aparente erro ainda em apuração e um caça F-35 foi atingido de forma inédita sobre o Irã, mas segundo Washington conseguiu pousar num país vizinho.

Diferentemente de outros episódios em que perdas graves foram anunciadas, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA não disse que a alegação era falsa —nem tampouco a confirmou.

Por evidente, são danos incomparáveis à destruição das capacidades aéreas e antiaéreas do Irã na guerra, além da decapitação de sua elite política e militar.

Nesta segunda (30), Teerã confirmou a morte de Alireza Tangsiri, o chefe naval da Guarda Revolucionária responsável pelo fechamento do estreito de Hormuz. Seu assassinato havia sido anunciado por Israel na quinta (26).

A exposição dos alvos americanos e o bombardeio a conta-gotas contra Israel e aliados dos EUA no golfo viraram ponto de venda de Teerã.

O chefe do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, disse na sexta que a eventual operação terrestre contra seu país enfrentará problemas de saída: “Se vocês não conseguem proteger soldados em suas bases, como os protegerão em nosso solo?”.

É retórica, mas calcada na realidade. Diversos relatos indicam que Donald Trump pode agir para tomar o terminal petrolífero da ilha de Kharg ou ilhotas em Hormuz, visando reabrir o estreito por onde passam 20% do óleo e gás natural liquefeito do mercado em tempos de paz.

Qualquer opção sugere baixas e sucesso militar incerto, mas as primeiras tropas para ações terrestres já chegaram ao teatro de operações, em número bem reduzido.



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