O novo governo do ultradireitista José Antonio Kast suspendeu a regularização de 182 mil imigrantes no Chile, uma medida que havia sido impulsionada pela gestão de seu antecessor, Gabriel Boric. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (30) pelo Serviço de Migrações à AFP.
Segundo um comunicado enviado à agência de notícias, a gestão do agora ex-presidente Boric havia deixado pronto um decreto para regularizar cerca de 182 mil pessoas que participaram de um processo de cadastro de imigrantes que entraram de forma irregular no país.
“Não vamos realizar uma regularização em massa como foi proposto no governo de Boric”, afirmou o diretor do Serviço Nacional de Migrações, Frank Sauerbaum. Ele acrescentou que, “felizmente”, o decreto foi suspenso. “Hoje soubemos que 6.000 pessoas das 182 mil já cometeram um delito”, disse.
O órgão não detalhou quais teriam sido esses crimes.
Kast teve como um de seus principais lemas de campanha a defesa da deportação em massa de imigrantes em situação irregular. Ao menos 337 mil estrangeiros vivem atualmente sem a documentação necessária no Chile, segundo dados oficiais. Mais da metade são venezuelanos.
A chegada de Kast ao Palácio de La Moneda dá início ao governo mais à direita do país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Horas após tomar posse no último dia 11, ele ordenou a construção de muros e valas na região fronteiriça com a Bolívia e o Peru, cumprindo sua promessa aos eleitores.
A medida imita seu homólogo americano, Donald Trump, que teve na construção de um muro na fronteira com o México sua principal bandeira de campanha na época do primeiro mandato. Cinco dias após assumir, ele viajou até a região de Arica, na fronteira com o Peru, para supervisionar o início da construção.
O chamado “Plano Escudo de Fronteira” determina alterações na legislação para “desencorajar a imigração irregular”, modificação das normas sobre o uso da força “para gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina” e a construção de “barreiras físicas nas áreas necessárias”.
Um segundo decreto assinado por Kast também ordena o aumento de “recursos militares” na fronteira norte do país, além de melhora da vigilância “com o uso de drones e sensores”.
A gestão enviou dois projetos de lei ao Parlamento para tentar barrar a entrada de pessoas sem documentação. Um deles prevê punir quem ajudar imigrantes a ingressar irregularmente no país, e outro transformaria em crime a entrada ilegal no país.




