A China e o Paquistão apresentaram nesta terça-feira (31) um plano de paz para a guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã.
Em comunicado conjunto e sem citar nominalmente os países agressores, Pequim e Islamabad citam cinco pontos para o fim do conflito, pedindo o início de negociações diretas entre os beligerantes e a abertura do estreito de Hormuz —bloqueado por Teerã e por onde circula 20% do petróleo mundial.
“O estreito de Hormuz, juntamente com suas águas adjacentes, é uma importante rota global de transporte de mercadorias e energia”, escreveu o chanceler chinês Wang Yi junto a Mohammad Ishaq Dar, ministro de Relações Exteriores paquistanês.
“China e Paquistão pedem às partes que protejam a segurança dos navios e das tripulações retidas no estreito de Hormuz, permitam a passagem antecipada e segura de embarcações civis e comerciais e restabeleçam o tráfego normal pelo estreito o mais breve possível.”
Localizado entre o Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos, a rota marítima por onde dezenas de embarcações passavam diariamente foi fechada pela Guarda Revolucionária iraniana no início do conflito. Com o fechamento, os preços do petróleo dispararam. Os contratos futuros da commodity fecharam na última segunda (30) em alta de 3,39% (Brent), e a movimentação atípica que já acontece há um mês tem se refletido no governo do republicano Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Os outros pontos exigidos pelas nações asiáticas incluem a segurança de civis, a cessação imediata do conflito e um acordo entre os países por meio da ONU.
China e Paquistão pediram que os ataques cessassem imediatamente para evitar a expansão do conflito, além de fim de ataques a infraestrutura como instalações de energia e usinas nucleares.
Em 3 de março, o Irã disse que a central de nuclear de Natanz foi atacada. Imagens captadas por satélites mostraram os prejuízos no complexo subterrâneo localizado ao sul de Teerã.
“A soberania, a integridade territorial, a independência nacional e a segurança do Irã e dos Estados do Golfo devem ser preservadas”, continua o comunicado.
Na última semana, Trump afirmou que os EUA estariam em negociações com Teerã, o que foi negado posteriormente pelo Ministério de Relações Exteriores iraniano. O Paquistão atua como um mediador entre os dois países, tendo entregado as 15 exigências para o fim da guerra feitas por Washington.
O conflito entre Estados Unidos e Irã chega se aproxima de um mês de duração. A guerra se alastrou por países como Líbano, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, negou nesta terça-feira que negociações com os EUA estejam em andamento. Em entrevista coletiva em Brasília, o diplomata respondeu a repórteres que, diferente do divulgado por Trump, nenhuma autoridade iraniana conversou com os americanos.
“Algumas mensagens foram enviadas, e nós respondemos”, disse Nekounam, que confirmou a troca de mensagens utilizando o Paquistão como mediador.
Já o Exército de Israel, por meio do porta-voz das Forças Armadas, tenente-coronel Nadav Shoshani, disse estar preparado para continuar operando por semanas contra Teerã.




