Ao menos 70 pessoas morreram em ataques “brutais e coordenados” cometidos em Petite-Rivière de Artibonite, no Haiti, local pouco menos de 100 km ao norte da capital, Porto Princípe, durante o fim de semana, informou nesta terça-feira (31) o chefe do escritório da ONU no país, o mexicano Carlos Ruiz Massieu.
“Essa violência cega é mais um lembrete da necessidade urgente de aumentar o apoio ao Haiti diante do flagelo das gangues e das redes que as sustentam”, escreveu Massieu na rede social X.
“Esse ataque ressalta a gravidade da situação de segurança enfrentada pela população haitiana. O secretário-geral da ONU [António Guterres] faz um apelo ao povo haitiano e às autoridades haitianas para que realizem uma investigação exaustiva”, havia dito anteriormente o porta-voz da secretaria-geral da ONU, Stéphane Dujarric.
O ataque ocorre após relatos da ONU de que mais de 2.000 pessoas foram recentemente deslocadas por ataques armados na cidade vizinha de Verrettes, o que levou moradores de Petite-Rivière a fugirem de suas casas.
A polícia haitiana havia informado nesta segunda-feira (30) um balanço inicial de ao menos 16 mortos, mas várias fontes já apontavam um número muito maior, especialmente após outro ataque ocorrido ainda na madrugada de domingo.
Segundo Bertide Horace, porta-voz da organização Comissão para o Diálogo, Reconciliação e Sensibilização para Salvar Artibonite, o ataque nessa localidade foi perpetrado pela gangue Gran Grif.
O departamento de Artibonite, uma importante área agrícola, tem sido palco de alguns dos piores índices de violência do país, à medida que o conflito entre gangues se espalha para além da capital, há anos o foco desse tipo de violência no país.
Um relatório do escritório da ONU para os direitos humanos publicado na semana passada indica que a violência de gangues e os ataques contra esses grupos deixaram mais de 5.500 mortos entre março de 2025 e o início deste ano.
Em março, os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de até US$ 3 milhões por informações sobre as atividades financeiras dos grupos Gran Grif e Viv Ansanm. Washington designou ambas as organizações, que representam coalizões de centenas de gangues, como organizações terroristas.
As forças de segurança haitianas, apoiadas por uma missão internacional com respaldo da ONU e por uma empresa militar privada americana, intensificaram as operações contra as gangues que controlam a maior parte da capital. No entanto, as autoridades ainda não prenderam nenhum líder importante de gangue.
Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito com as gangues, o que exacerbou a insegurança alimentar, e cerca de 20 mil pessoas foram mortas no Haiti desde 2021.
Em nota divulgada pelo Itamaraty nesta terça, o governo brasileiro se solidarizou com as famílias das vítimas e convocou a comunidade internacional a apoiar Porto Príncipe.




