O chefe do serviço de inteligência da Colômbia anunciou nesta terça-feira (31) que deixou o cargo após ter o nome envolvido em suposto vazamento de informações para uma guerrilha que negocia a paz com o governo do presidente Gustavo Petro.
Wilmar Mejía, da Direção Nacional de Inteligência (DNI), foi citado em uma investigação jornalística que o vincula a um suposto vazamento de dados para uma dissidência das extintas Farc.
A emissora de televisão Caracol revelou, em novembro, dados e documentos apreendidos do grupo armado que supostamente evidenciam os vazamentos por parte de Mejía, defendido por Petro em meio à crise provocada pela investigação, que também envolve um general do Exército colombiano.
O grupo que teria recebido as informações está sob o comando de “Calarcá”, um poderoso líder rebelde que mantém negociações com o governo de esquerda de Petro, ele próprio um ex-guerrilheiro cuja política principal para o fim do conflito armado colombiano tem passado por vaivém de avanços e novos ataques por grupos armados.
Calarcá comanda uma facção dentro do Estado Maior Central, ele próprio uma dissidência das Farc, chefiado por Ivan Mordisco.
A apenas cinco meses de deixar o poder, o presidente Petro fracassou na maioria de suas tentativas de acordos de paz. Analistas consideram que os grupos armados se fortaleceram durante seu mandato.
Em janeiro, por exemplo, pelo menos 27 membros de um grupo guerrilheiro foram mortos em combates com uma facção rival pelo controle territorial de uma área de selva no sudoeste da Colômbia. A região é estratégica para a produção e o tráfico de cocaína.
Os confrontos ocorreram em uma área rural do município de El Retorno, no departamento de Guaviare, 300 quilômetros a sudoeste de Bogotá, disse uma autoridade do Exército.
Em agosto do ano passado, uma série de ataques de grupos armados contra forças de segurança deixaram 18 mortos e dezenas de feridos. Foram usados um carro-bomba, drones e armas de alto calibre nas ações.
Mejía, que passou de formado em Educação Física a diretor do serviço de inteligência colombiana, nega as acusações e afirma que não conhece Calarcá. Na terça-feira, ele declarou ao Canal 1 que apresentou sua renúncia ao cargo em 3 de março.
O caso ganhou novo impulso nesta semana depois que a procuradora-geral, Luz Adriana Camargo, afirmou que a instituição comprovou “fatos muito graves” relacionados à denúncia da emissora Caracol.
“Ratificamos informações graves nos computadores e celulares sobre relações do grupo [armado] com um general e uma pessoa da DNI”, disse ao jornal El Espectador, sem mencionar Mejía.




