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A líder do Kuomintang (KMT), principal partido de oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, viajará à China de 7 a 12 de abril a convite de Xi Jinping.
Cheng assumiu o cargo em novembro e, desde então, insistiu em se reunir com o líder chinês antes de fazer uma visita oficial aos EUA. Isso lhe rendeu críticas até mesmo no seu partido por ser considerado excessivamente pró-China.
Ela disse querer “provar ao povo de Taiwan e ao mundo que o conflito entre os dois lados do Estreito não é inevitável”. Também destacou que a visita seria baseada no chamado Consenso de 1992 (popularmente conhecido como o acordo que deu origem à Política de Uma Só China) e na oposição à independência formal de Taiwan.
Será a primeira visita de um presidente em exercício do KMT à China continental desde novembro de 2016, quando a então líder do partido Hung Hsiu-chu se reuniu com Xi em Pequim. A delegação passará por Jiangsu, Xangai e Pequim.
A viagem foi anunciada no mesmo dia em que quatro senadores norte-americanos chegaram a Taiwan para tratar de segurança e vendas de armas. A ilha é um assunto prioritário para Pequim para a cúpula com Trump, marcada para 14 e 15 de maio em Pequim.
O KMT e o Partido do Povo de Taiwan (TPP) usaram sua maioria legislativa para bloquear o orçamento especial de defesa de NT$ 1,25 trilhão (R$ 205 bilhões) aprovado pelo governo do presidente William Lai.
O impasse levou um grupo bipartidário de 37 congressistas norte-americanos a enviar uma carta ao presidente da Câmara Legislativa e aos líderes do KMT e do TPP demonstrando preocupação com a paralisia no orçamento de defesa.
Mas nem tudo é fanfarra. A imprensa local têm reportado que líderes partidários do KMT enxergam um encontro entre Cheng e Xi com reservas, temendo reação negativa dos eleitores nas eleições distritais previstas para o fim deste ano. O partido ocupa 60 das 113 cadeiras do Legislativo, ao lado do TPP, contra 51 do DPP que é quem governa a ilha.
Por que importa: Pequim usa a visita do KMT para projetar uma narrativa de alternância política em Taiwan, sinalizando que existe uma via menos conflitiva do que a do governo Lai. O timing do encontro interessa aos chineses, já que ele oacontece semanas antes da cúpula entre Trump e Xi. A estratégia é fazer Washington interpretar o movimento como uma evidência de divisão interna em Taiwan, enfraquecendo a posição de Lai nas conversas sobre armamentos e na definição do que os EUA estão dispostos a garantir no Estreito.
para para ver
“Senhorita Mao tentando se equilibrar no topo da cabeça de Lenin”, estátua esculpida por Gao Zhen, um artista chinês radicado em Nova York e atualmente detido na China por “difamar heróis nacionais” (leia mais sobre abaixo).
o que também importa
★ A China tem 416 empresas unicórnio, cerca de 30% do total global. O país está atrás apenas dos EUA, segundo relatório divulgado na segunda pela Beijing Evening News. O valor médio destas companhias chegou a US$ 3,9 bilhões, o maior nível em três anos. Setores intensivos em tecnologia, com destaque para inteligência artificial, concentram mais de 75% das empresas e quase 80% das avaliações. Pequim, Xangai e Shenzhen são as cidades com mais casos.
★ O governo chinês vai proibir o uso de apartamentos vazios para guardar cinzas de mortos. A prática ganhou força com a alta de custos funerários e a escassez de cemitérios no país. A nova regra veta imóveis usados para esse fim e enterros fora de áreas autorizadas. Com a queda de até 40% nos preços de imóveis desde 2021, famílias passaram a transformar unidades em altares. Em Pequim, túmulos podem custar até ¥ 300 mil (R$ 226 mil), com concessões renováveis a cada 20 anos. A medida antecede o festival Qingming (semelhante ao Dia de Finados, data em que os chineses limpam as tumbas dos ancestrais e queimam dinheiro falso para levar riqueza ao falecido) e integra um pacote para reduzir custos e coibir abusos no setor funerário.
★ O artista dissidente chinês Gao Zhen foi julgado a portas fechadas na China sob acusação de “difamar heróis nacionais” por esculturas satíricas de Mao Tsé-Tung. Detido em agosto de 2024 durante visita familiar, o artista radicado em Nova York pode pegar até três anos de prisão. O julgamento foi realizado na segunda-feira em Sanhe e terminou sem veredicto, com diplomatas observadores da União Europeia tendo acesso barrado à corte. A mulher de Gao, Zhao Yaliang, diz que não pôde entrar na audiência e que ela e o filho estão proibidos de deixar o país. O artista tem 69 anos e problemas de saúde crônicos.
fique de olho
China e Paquistão divulgaram nesta terça (31) uma iniciativa conjunta de cinco pontos para encerrar a guerra no Irã. É a primeira vez que uma grande potência apresenta um roteiro formal para o conflito.
Os chanceleres Wang Yi e Ishaq Dar se reuniram em Pequim um dia depois de Dar sediar conversas com os chanceleres da Arábia Saudita, Turquia e Egito em Islamabad. O que eles propõem:
- Cessação imediata das hostilidades e impedimento de expansão do conflito;
- Início de negociações de paz o mais cedo possível, sem uso da força durante as conversas;
- Fim dos ataques a civis e infraestrutura não militar, incluindo instalações de energia, dessalinização e usinas nucleares Pakistan Today;
- Reabertura do Estreito de Hormuz à navegação civil e comercial;
- Acordo de paz baseado na Carta da ONU e no direito internacional.
A visita de Dar ocorreu um dia depois de ele sediar em Islamabade conversas com os chanceleres da Arábia Saudita, Turquia e Egito e apesar de recomendação médica de repouso após fratura no ombro. Um diplomata árabe disse ao Middle East Eye que Teerã estaria buscando ajuda de Pequim para atuar como garantidora de qualquer acordo de paz com os EUA.
Por que importa: A iniciativa de cinco pontos é, em essência, um documento de posicionamento, não um roteiro operacional, já que nenhum dos três protagonistas do conflito (EUA, Israel e Irã) participou das conversas. A iniciativa mostra certa ansiedade de Pequim com os rumos da guerra e seu impacto no país. Cerca de 50% das importações chinesas de petróleo bruto passam pelo estreito de Hormuz, atualmente fechado pelos iranianos.
para ir a fundo
Estão abertas as inscrições para o programa de bolsas da Universidade de Medicina Chinesa de Hebei, com oportunidades para alunos e professores de língua chinesa. Destinadas a médicos formados (ou em vias de conclusão do curso), a bolsa tem duração variável de quatro semanas ou um semestre e o curso aborda idioma, cultura e medicina tradicional chinesa. Interessados podem ler o edital aqui.
A Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim abriu seleção para várias vagas de professor, incluindo algumas no chamado “tenure track” (quando o profissional tem a chance de conquistar estabilidade e não poder ser demitido). Mais informações neste link.




