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O julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos produz efeitos que extrapolam o tribunal em Nova York. Um relatório do Observatório da Agência Lupa mostra que o caso se tornou um dos principais vetores de desinformação no ambiente digital brasileiro.
A pesquisa identifica a atuação intensificada da rede russa Pravda, um ecossistema de sites pró-Kremlin, na publicação, em português, de conteúdos sobre Maduro. Desde janeiro, foram ao menos 2.640 textos, replicados por canais alinhados a Moscou e com narrativas favoráveis ao ex-líder venezuelano e críticas aos EUA.
Segundo o relatório, a estratégia não mira apenas leitores, mas também sistemas de inteligência artificial. Ao inundar a internet com conteúdos de um mesmo viés, esse material passa a ser indexado e pode ser incorporado por chatbots como se fosse informação factual consolidada.
Paralelamente, o caso domina as redes sociais no Brasil. De 1º de janeiro a 17 de março, foram registradas 6,5 milhões de publicações em português mencionando Venezuela, Maduro ou Caracas.
Para a Lupa, o julgamento tende a consolidar Maduro como um dos principais motores do debate online no país. A prisão do ex-presidente, em janeiro, desencadeou uma onda de postagens e polarização, agora reforçada pelo avanço do processo.
O relatório também aponta que o caso deve ser explorado no debate político brasileiro em um ano eleitoral, com narrativas opostas circulando nas redes sociais. Mais do que um episódio jurídico, o julgamento passou a alimentar um fluxo contínuo de conteúdos enganosos e disputas narrativas no ambiente digital.
socorro do FMI
Enquanto isso, o governo venezuelano tenta avançar em uma frente paralela, de caráter econômico e diplomático. A líder interina Delcy Rodríguez articula o acesso a cerca de US$ 4,9 bilhões em Direitos Especiais de Giro (DEG) mantidos no Fundo Monetário Internacional, hoje bloqueados desde a suspensão das relações do organismo com Caracas, em 2019.
A liberação desses recursos depende menos de critérios técnicos do que de uma decisão política. O FMI condiciona qualquer mudança ao reconhecimento do governo venezuelano por uma maioria do poder de voto de seus membros, estrutura em que os EUA têm peso decisivo, seguidos por outros grandes acionistas como Japão, China, Alemanha, França e Reino Unido.
Para a Venezuela, o acesso aos DEG teria impacto imediato. Além de reforçar reservas e dar margem para sustentar importações, os recursos poderiam ajudar a conter pressões cambiais e inflacionárias em uma economia ainda descrita pelo próprio Fundo como frágil. Mais do que um alívio financeiro, a operação é vista como um teste da capacidade do governo de transformar articulação diplomática em resultados concretos.
mirada
A gigante cédula eleitoral usada na eleição do Peru, marcada para o próximo dia 12.
latinas
“Parque Lezama”
O filme conta as discussões sobre política entre um ex-militante comunista e um bon vivant que diz odiar o tema. Ambos se conheceram no emblemático parque de Buenos Aires que dá nome à obra. O longa atravessa dados da vida real com diálogos espirituosos. Reúne os veteranos Eduardo Blanco e Luis Brandoni, com direção de Juan José Campanella.
Assista ao trailer aqui.
“O Último Gigante”
Nova produção argentina chegou às plataformas de streaming nesta quarta-feira (1º). O longa traz como protagonista o ator Oscar Martínez, conhecido por seu trabalho em “Cidadão Ilustre”. O filme tem roteiro e direção assinados por Marcos Carnevale.
Assista ao trailer aqui.




