Um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump ainda não tem data para acontecer. A avaliação do Planalto é que, caso a agenda não seja concretizada até o fim de junho, a reunião não deve acontecer neste ano devido às eleições.
Em janeiro, o brasileiro e o americano conversaram por telegone. No início de março, o chanceler Mauro Vieira e seu homólogo americano, Marco Rubio, trataram sobre o possível encontro.
Esperava-se que a reunião pudesse acontecer até o fim do mês, o que não se concretizou. A campanha eleitoral no Brasil começa em agosto, mas em julho Lula já deve ligar o “modo eleição”, como dizem aliados, e se dedicar mais a agendas internas.
Interlocutores do Planalto avaliam que o encontro com Trump deve ocorrer até o início de julho, sob risco de não acontecer este ano. A guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, porém, vem dificultando a agenda.
Trump tem se dedicado a encontrar meios para acabar rapidamente com o conflito, mas enfrenta dificuldades. Lula, por sua vez, é um crítico à posição de Washington na guerra. “Os EUA se meteram a fazer uma guerra desnecessária com o Irã, alegando que no Irã tinha arma nuclear. É mentira”, afirmou o brasileiro na quarta-feira (1º).
A guerra, que se alastrou pelo Oriente Médio, gera preocupação no Planalto. Após um mês de conflito, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, aumentou em mais de 50%. O diesel também subiu e levou o governo a anunciar um pacote de medidas para evitar uma forte elevação do preço.
O governo Lula teme que uma alta no preço dos combustíveis eleve a inflação às vésperas da eleição e atrapalhe a campanha eleitoral. Auxiliares preveem que guerra pode impactar também o preço do gás de cozinha.
No ano passado, o embate com os EUA por causa do tarifaço imposto por Trump ao Brasil deu a Lula uma agenda positiva, que, na avaliação do Planalto, ajudou o governo a melhorar sua avaliação. O governo brasileiro não cedeu à pressão da Casa Branca por medidas em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A pressão se arrefeceu, e Lula e Trump tiveram um encontro na Malásia, em outubro do ano passado, para iniciar as negociações sobre o tarifaço. A partir de novembro, a sobretaxa sobre alguns produtos começou a cair. Os EUA haviam sinalizado desejo por terras raras brasileiras, e Lula mostrou disponibilidade em negociar.
Recentemente, o presidente voltou a falar sobre a relação com Washington para criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que será seu adversário na eleição de outubro. Ao criticar a recente viagem de Flávio aos EUA, Lula afirmou que até mesmo minerais raros seriam entregues aos americanos em um eventual governo do adversário. Ainda segundo relatos, Lula disse que a população brasileira precisa saber da ameaça do que chamou de entreguismo.
As declarações foram feitas durante encontro de Lula com ministros que deixam o governo para disputar eleições e os sucessores das pastas.




