Com os Estados Unidos em guerra com o Irã e envolvidos em conflitos ao redor do mundo, a Casa Branca disse nesta sexta-feira (3) que pedirá ao Congresso a aprovação de aproximadamente US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,7 trilhões) para defesa no ano fiscal de 2027. Se aprovado, esse valor elevaria os gastos militares ao seu nível mais alto da história moderna.
O pedido, que chegou nesta sexta como parte do novo orçamento do presidente Donald Trump, representaria um aumento de aproximadamente 40% em relação ao que os EUA gastaram com o Pentágono neste ano fiscal. O governo disse que acompanharia o aumento proposto com um pedido de US$ 73 bilhões (cerca de R$ 377 bilhões) em cortes em diversas agências domésticas, incluindo a eliminação de alguns programas de clima, habitação e educação.
A Casa Branca divulgou um resumo de sua proposta orçamentária, com detalhes mais completos esperados para depois. Juntas, as ideias podem resultar em um plano fiscal que ainda poderia adicionar trilhões de dólares à já inflada dívida federal ao longo da próxima década, caso os legisladores transformem a visão do presidente em lei.
Trump pediu ao Congresso que aprovasse a maior parte do novo dinheiro para defesa, mais de US$ 1,1 trilhão (aproximadamente R$ 5,7 trilhões), como parte de seu trabalho anual para financiar o governo, e que aprovasse os US$ 350 bilhões (R$ 1,8 trilhão) restantes usando a mesma tática legislativa que permitiu aos republicanos garantirem seus cortes de impostos um ano atrás. Ele também pediu aos legisladores que aumentassem o financiamento federal para auxiliar na fiscalização de fronteiras e deportações em massa.
Nos dias anteriores à divulgação dos detalhes iniciais de seu plano, o presidente e seus assessores trataram o aumento proposto para defesa como uma questão urgente, citando a necessidade de reabastecer munições e outros suprimentos em meio à guerra com o Irã. Em determinado momento, Trump indicou em um almoço privado que os gastos militares precisavam ser uma prioridade nacional, mesmo às custas de programas federais de rede de proteção social e outras ajudas governamentais.
“Não é possível para nós cuidar de creches, Medicaid, Medicare, todas essas coisas individuais, eles podem fazer isso em nível estadual”, disse ele, acrescentando que o foco tinha que ser “proteção militar”.
Mas democratas e republicanos expressaram recentemente uma preocupação compartilhada sobre aumentar os gastos militares na proporção que Trump sugeriu, temendo que o governo tenha falhado em mantê-los atualizados sobre a situação da guerra com o Irã, agora em sua quinta semana.
Tampouco os legisladores responderam favoravelmente a alguns dos cortes propostos pelo presidente para agências e programas que atendem famílias e empresas americanas. Há apenas alguns meses, democratas e republicanos aprovaram pacotes de gastos para o atual ano fiscal que rejeitaram alguns dos mesmos cortes domésticos, que Trump endossou como parte de sua proposta de 2026.
Neste ano fiscal, a Casa Branca disse que cortaria os gastos domésticos em US$ 73 bilhões (cerca de R$ 377 bilhões), ou cerca de 10%. O governo também disse que pediria ao Congresso uma série de aumentos para a aplicação da lei federal, incluindo mais de US$ 40 bilhões (aproximadamente R$ 206,6 bilhões) para o Departamento de Justiça, um aumento de 13%.




