O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (6) que a operação dos Estados Unidos para resgatar um dos tripulantes do caça americano abatido na sexta-feira (3) pode ter sido uma fachada para “roubar urânio enriquecido”.
O presidente Donald Trump confirmou no domingo (5) que o país resgatou o segundo tripulante de um F-15E Strike Eagle que caiu em território iraniano, em uma operação de busca e resgate que ele descreveu como audaciosa.
O porta-voz do ministério iraniano, Esmail Bagai, afirmou que ainda há “muitas dúvidas e incertezas” sobre o resgate.
“A área onde se afirmava que o piloto americano estava, na província de Kohgiluyeh e Boyer Ahmad, fica muito longe da área onde suas forças tentaram pousar no centro do Irã”, disse Bagai.
O porta-voz da chancelaria afirmou ainda que a possibilidade de que tenha sido uma “operação de fachada para roubar urânio enriquecido não deve ser ignorada de forma alguma”, sem apresentar detalhes.
Hoje, a Agência Internacional de Energia Atômica diz haver 440 kg de urânio enriquecido a 60% no país do Oriente Médio, suficientes para talvez 15 bombas de menor potência. Os EUA acusam o país persa de querer desenolver arms nucleares, o que Teerã nega.
De acordo com relatos de autoridades militares à imprensa americana, os dois tripulantes se ejetaram apenas segundos antes de o caça ser atingido. A aeronave caiu e se chocou violentamente com o solo.
O piloto e o oficial de sistemas de armas da aeronave, um dos tripulantes, se separaram. O primeiro manteve “comunicação constante” com sua unidade e foi resgatado no dia da queda, cerca de seis horas depois, por uma força que incluía aviões de ataque e helicópteros.
O oficial de sistemas subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros e se escondeu em uma fenda, até ser encontrado pelas forças americanas. As intensas buscas levantaram preocupações de que o segundo militar desaparecido, caso fosse capturado pela regime iraniano, pudesse ser usado como forma de pressão contra Washington. O Irã ofereceu uma recompensa para quem o encontrasse.
Após o anúncio do resgate do segundo tripulante, Trump publicou nova ameaça ao regime iraniano, sugerindo um ataque massivo contra a infraestrutura civil e energética do país e instando a abertura do estreito de Hormuz.
Depois, um porta-voz do regime iraniano afirmou que Teerã vai responder com reciprocidade a ataques a sua infraestrutura mirando alvos similares dos EUA ou relacionados a Washington, segundo a agência de notícias iraniana Wana.
A via marítima está bloqueada pela República Islâmica desde o início do conflito, elevando o preço do petróleo mundialmente. À emissora Fox News, entretanto, Trump disse acreditar que um acordo com o Irã é possível ainda nesta segunda, dia em que terminaria seu novo ultimato para a abertura do estreito.




