O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, comparou na segunda-feira (6) o resgate de um militar americano desaparecido, após ter seu caça abatido sobre o Irã no Domingo de Páscoa, à ressurreição de Jesus Cristo.
Minutos depois, falando na mesma conversa com a imprensa que descrevia a operação militar de resgate, o presidente Donald Trump afirmou que Deus apoia a guerra israelense-americana contra o Irã, que já matou milhares de pessoas, incluindo muitos civis.
“Porque Deus é bom”, disse ele, “e Deus quer ver as pessoas sendo cuidadas”. Trump continuou: “Deus não gosta do que está acontecendo. Eu não gosto do que está acontecendo. Todo mundo diz que eu gosto disso. Eu não gosto disso”.
“Eu não gosto de ver pessoas sendo mortas”, afirmou.
Em seu relato da operação de resgate, Hegseth traçou paralelos entre a situação do tripulante desaparecido e o relato da morte e ressurreição de Cristo descrito na Bíblia.
O caça F-15E, ele observou, foi “abatido numa sexta-feira —Sexta-feira Santa”. Esse é o dia em que Jesus foi crucificado.
Depois que o tripulante se ejetou do caça e saltou de paraquedas sobre o Irã, ele se escondeu, disse Hegseth, “em uma caverna, dentro de uma fenda, durante todo o sábado”, lembrando o túmulo escavado na rocha onde Jesus foi sepultado.
Então, disse ele, o tripulante foi resgatado no dia em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus — “retirado do Irã enquanto o sol nascia no Domingo de Páscoa”.
“Um piloto renascido, todos em casa e a salvo, uma nação em júbilo”, disse o secretário de Defesa. “Deus é bom.”
Hegseth também disse que, após o avião ser abatido, o aviador, oficial de sistemas de armas do F-15E, fez contato com seus resgatadores americanos com uma mensagem religiosa: “Deus é bom”. “Naquele momento de isolamento e perigo”, disse ele, “sua fé e espírito de luta brilharam.”
Foi o mais recente exemplo do secretário de Defesa invocando teologia cristã em declarações públicas sobre a guerra com o Irã. No início da guerra, Hegseth pediu aos americanos que orassem pela vitória no Oriente Médio “em nome de Jesus Cristo”.
Líderes cristãos, incluindo o papa Leão 14, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, discordaram veementemente das sugestões do governo Trump de que a guerra tem sanção divina. O papa tem pedido repetidamente o fim do conflito e criticado o uso do cristianismo para justificar a guerra. Em uma homilia recente, Leão disse que a missão cristã frequentemente foi “distorcida por um desejo de dominação, inteiramente estranho ao caminho de Jesus Cristo”.
Hegseth, que está comandando uma campanha de bombardeio implacável contra o Irã, uma nação de maioria muçulmana xiita com um governo teocrático, frequentemente idolatrou as Cruzadas, as sangrentas guerras medievais nas quais guerreiros cristãos lutaram contra muçulmanos pelo controle de importantes locais religiosos e territórios no Oriente Médio.
Tatuada no bíceps direito de Hegseth está a frase em latim “Deus vult” —”Deus quer”— que ele descreve como um grito de guerra daquelas guerras. Em seu livro “Cruzada Americana”, publicado em 2020, Hegseth descreve as Cruzadas como “sangrentas” e “cheias de tragédias indescritíveis”, mas argumenta que foram justificadas porque salvaram uma Europa cristã do avanço do Islã.
A linguagem de Hegseth também ecoa princípios do cristianismo conservador americano, que frequentemente vincula o nacionalismo dos EUA à virtude religiosa. Muitos dos apoiadores cristãos de Trump se descreveram como combatentes em uma guerra santa que busca reverter valores seculares e pluralistas e estabelecer os EUA como uma nação fundamentalmente cristã.




