O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã não inclui o Líbano, e Tel Aviv continuou bombardeando o país vizinho nesta quarta-feira (8).
O Líbano foi arrastado para o conflito após o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, ter atacado o Estado judeu em retaliação. O sul do país voltou a ser ocupado por Israel, que por sua vez bombardeia também a capital Beirute e outras áreas do vizinho ao norte.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou nesta quarta que espera que o país seja incluído na trégua.
O Hezbollah pediu que os moradores deslocados devido ao conflito devem evitar retornar para suas casas antes que um acordo de cessar-fogo com o Líbano seja anunciado.
“Não se dirijam às aldeias, cidades e áreas visadas no sul, no Vale do Bekaa e nos subúrbios ao sul de Beirute antes da declaração oficial e final de cessar-fogo no Líbano”, afirmou o comunicado. O grupo disse estar “próximo de uma vitória histórica”, sem dar detalhes, e não reinvidicou nenhum novo ataque contra Israel desde desde o início da trégua.
As Forças Armadas do Líbano também pediram que os moradores deslocadores “esperassem antes de retornar” ao sul do país, como medida de precaução. Israel realizou ataques contra um prédio na região de Tiro, de acordo com um jornalista da AFP, pouco depois de uma nova ordem de evacuação para aquela área ser emitida pelo Exército.
Nas negociações, Teerã indicou que, para aceitar a trégua, exigiu o fim dos ataques contra seus aliados na região. Inclusive, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que as partes haviam aceitado um cessar-fogo “em todos os lugares”.
Diante da incerteza sobre a situação, Espanha e França pediram que que a trégua inclua o Líbano. O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, disse em uma entrevista a uma rádio que é “inaceitável” que Israel mantenha os ataques contra o país vizinho.
Já o primeiro-ministro Pedro Sánchez celebrou o acordo, mas criticou indiretamente o presidente Donald Trump. “Os cessar-fogos são sempre uma boa notícia”, mas o “governo da Espanha não aplaudirá aqueles que incendiam o mundo e depois aparecem com um balde de água”, escreveu o líder em um post .
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o cessar-fogo deveria incluir o Líbano.
Trump recuou novamente e aceitou na terça-feira (7) uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo do conflito iniciado em 28 de fevereiro. Antes de aceitar o acordo, o americano falou ameaçou obliterar a infraestrutura civil do Irã e disse que “uma civilização inteira” morreria naquela noite.
Em postagem na rede Truth Social, Trump disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra o estreito Hormuz durante a trégua —Teerã disse que o fará por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.
O regime iraniano, por sua vez, confirmou que as negociações com os EUA acontecerão na capital paquistanesa, Islamabad, a partir da próxima sexta-feira (10). O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, publicou o convite às delegações.
O país persa reforçou que as negociações não significam o fim imediato da guerra e que este somente será aceito quando os detalhes do plano de dez pontos forem finalizados. Ainda de acordo com a imprensa, o texto também prevê a “suspensão de todas as sanções, o pagamento de indenização integral ao Irã e a liberação de todos os ativos iranianos congelados”.




