Venezuela: Polícia dispersa protesto por aumento salarial – 09/04/2026 – Mundo

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A polícia da Venezuela e funcionários públicos que protestavam por melhores condições salariais entraram em confronto nesta quinta-feira (9). Os agentes dispersaram com gás lacrimogêneo uma marcha que buscava chegar ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, e manifestantes revidaram arremessando garrafas e pedras.

As manifestações têm sido uma raridade no país durante quase dois anos devido à onda de repressão que se seguiu aos protestos da oposição contra a reeleição do ditador Nicolás Maduro em 2024.

Nesta quinta, mais de 2.000 trabalhadores e aposentados rejeitaram uma promessa de aumento salarial feita na véspera pela líder interina Delcy Rodríguez. Ela está em viagem em Granada, no Caribe, a primeira como líder da nação sul-americana.

“Eles têm medo de que o povo chegue até Miraflores!”, “Vamos até Miraflores!”, “Rua e luta!”, gritavam os manifestantes para as forças de segurança.

Agentes posicionados em vários pontos do trajeto até o palácio presidencial barravam com escudos a multidão que avançava gritando palavras de ordem.

“Marchem conosco que vocês também estão passando perrengue”, gritava um dos manifestantes aos policiais. Faltando algumas quadras para chegar ao palácio, os policiais lançaram gás lacrimogêneo para dispersá-los.

Alguns jogaram garrafas cheias de água nos policiais. Richard Araque, um dos manifestantes, mostrou seu braço sangrando após ser atingido por uma pedra lançada em meio a empurrões com os agentes. A multidão se dispersou a poucos quilômetros do palácio.

O salário mínimo na Venezuela é de 130 bolívares (R$ 1,39) frente a uma inflação anual que supera 600%. E embora a renda possa chegar ao equivalente a R$ 762 com bônus estatais sem incidência em benefícios trabalhistas e outras vantagens, é insuficiente frente aos R$ 3.277 que, segundo estimativas privadas, são o preço da cesta básica alimentar familiar.

Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Governa sob forte pressão de Washington, que disse estar no comando do país e da venda de petróleo.

A líder interina impulsionou uma reforma petroleira e preparou outra de mineração que abrem as portas para empresas estrangeiras, assim como uma lei de anistia que antecipava a libertação de centenas de presos políticos.

Na quarta-feira, Delcy prometeu um “aumento responsável” de salários, corroídos por uma crônica inflação e pela dramática retração da economia na última década.

“Enquanto a Venezuela dispuser de mais recursos que permitam a sustentabilidade da melhoria salarial e da renda dos trabalhadores, seguiremos avançando por esse caminho”, assegurou, sem detalhar de quanto será o aumento previsto para 1º de maio.

Sindicatos e trabalhadores reclamam de salários “de fome” congelados há quatro anos. O último reajuste foi decretado por Maduro em 2022 e estabeleceu então uma renda-base equivalente a R$ 142.

“Estamos pedindo um salário digno já, porque isso é uma piada, o que a Delcy Rodríguez disse ontem à noite”, comentou a aposentada Mariela Díaz, 65. “Conseguimos um objetivo de chegar aqui ao centro, pelo menos nos fizemos ouvir internacionalmente.”

À marcha se juntou Jesús Godoy, um funcionário público que mostrou duas notas de 100 bolívares guardadas no bolso, equivalentes a cerca de R$ 2,00.

“Eu sou revolucionário, mas não posso apoiar o que está errado, eles andam em caminhonetes enormes, com escoltas, e o venezuelano comum está ferrado”, reclamou Godoy, com mais de 20 anos na administração pública.

Temístocles Liendo, dono de uma banca no centro de Caracas, mostrou-se em desacordo com o protesto. “Os dirigentes da oposição jamais convocaram o povo para pedir aos americanos que levantassem as sanções contra a Venezuela”, indicou.

“O fardado também é mal pago!”, gritavam para a polícia os manifestantes, já em retirada.



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