Um juiz federal rejeitou na segunda-feira (13) o processo por difamação de US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) movido pelo presidente Donald Trump contra o publisher do Wall Street Journal devido a uma reportagem sobre um desenho erótico de aniversário que o republicano teria enviado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.
O juiz Darrin Gayles afirmou em sua decisão que Trump não havia “comprovado de forma plausível” que o jornal publicou o artigo com “má-fé e dolo”, um termo jurídico que significaria que o veículo sabia que o que estava publicando era falso ou agiu com descaso imprudente quanto à veracidade das informações.
Gayles arquivou a queixa sem julgar o mérito, permitindo que Trump apresente a mesma ação novamente.
Um porta-voz da equipe jurídica de Trump disse em comunicado que o presidente entraria novamente com “esta ação contundente”. Trump fez um comentário semelhante nas redes sociais.
Um porta-voz da Dow Jones, empresa dona do Wall Street Journal, disse em comunicado: “Estamos satisfeitos com a decisão do juiz de rejeitar esta queixa. Defendemos a confiabilidade, o rigor e a precisão das reportagens do Wall Street Journal”.
O processo de Trump se concentrava em um artigo do WSJ publicado em 17 de julho com a manchete: “Amigos de Jeffrey Epstein enviaram cartas obscenas para um álbum de 50º aniversário. Uma era de Donald Trump”. O texto descrevia uma carta que parecia ser de Trump em um álbum de aniversário de 2003 compilado para Epstein.
O artigo dizia que a carta tinha o desenho de uma mulher nua com a assinatura de Trump abaixo da cintura dela e uma mensagem que dizia: “Feliz aniversário —e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”.
Trump disse ao WSJ que “isso é uma coisa falsa” e afirmou: “Nunca fiz uma imagem na minha vida. Eu não desenho mulheres”. Ele disse em um processo movido no dia seguinte à publicação do artigo que “não existe nenhuma carta ou desenho autêntico”.
Trump processou a empresa controladora do Journal, a News Corp, bem como Rupert Murdoch, fundador da News Corp; Robert Thomson, o CEO; a Dow Jones, dona do WSJ; e dois repórteres do veículo. Ele pediu US$ 10 bilhões em indenização.
O presidente tem sido particularmente sensível à sua associação com Epstein. Na época em que o artigo do jornal foi publicado, ele estava sob pressão crescente para liberar arquivos relacionados à investigação do Departamento de Justiça sobre Epstein.
Uma cópia do livro de aniversário incluindo a carta divulgada primeiramente pelo WSJ foi entregue em setembro aos membros do Comitê de Supervisão da Câmara por advogados do espólio de Epstein. O livro de 238 páginas foi compilado por sua então namorada, Ghislaine Maxwell, que foi condenada como cúmplice do esquema de abuso sexual de Epstein.
Advogados do WSJ haviam pedido ao juiz que rejeitasse o processo, argumentando que o artigo era verdadeiro. Eles também argumentaram que não poderia ser difamatório para Trump porque a conduta descrita no artigo era consistente com sua reputação.
Gayles escreveu em sua decisão que Trump não conseguiu demonstrar que o WSJ não havia investigado a veracidade de suas afirmações antes da publicação e havia informado seus leitores que Trump negou ter escrito a carta.
A rejeição do processo representa mais um golpe nos ataques contínuos de Trump à imprensa. O presidente não esconde sua animosidade em relação à mídia e entrou com processos nos últimos meses contra o The New York Times, a BBC, a CNN e o The Des Moines Register, buscando punir os veículos por suas reportagens.
Um processo de US$ 15 bilhões contra o New York Times e quatro repórteres do jornal, bem como contra a editora de livros Penguin Random House, no qual Trump afirmou que sua reputação como empresário bem-sucedido foi manchada em uma série de artigos escritos em 2024, foi rejeitado em setembro. Trump entrou novamente com o processo em outubro.
O histórico de ataques de Trump contra a imprensa começou a prejudicá-lo nos tribunais, com juízes citando esses ataques ao decidir contra o governo em pelo menos três casos recentes envolvendo organizações de notícias. Em 31 de março, um juiz federal bloqueou o decreto de Trump que proibia o financiamento da NPR e da PBS, decidindo que ela violava a Primeira Emenda.




