A Coreia do Norte registrou “um aumento muito significativo” em sua capacidade de produzir armas nucleares, anunciou nesta quarta-feira (15) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O avanço ocorre devido à provável criação de uma instalação de enriquecimento de urânio, em meio à intensificação de atividades em um complexo-chave do regime.
A Coreia do Norte executou seu primeiro teste nuclear em 2006 e recebeu várias sanções por seu programa armamentista. O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, reforçou em um discurso recente que o país não abrirá mão de seu arsenal nuclear.
Apesar de sanções e isolamento diplomático, a Coreia do Norte é considerada hoje uma potência nuclear consolidada, com dezenas de ogivas e capacidade de produzir muitas outras.
O diretor da agência da ONU, Rafael Grossi, confirmou um aumento rápido da atividade em instalações do complexo nuclear de Yongbyon, que Pyongyang supostamente havia desativado, mas que reativou em 2021. “Tudo isso aponta para um aumento muito significativo na capacidade da Coreia do Norte no âmbito da produção de armas nucleares”, disse.
O órgão de monitoramento observou a construção de uma nova instalação semelhante aos salões de enriquecimento de urânio de Yongbyon. O enriquecimento de urânio oferece um caminho alternativo —e, segundo especialistas, mais eficaz — para a obtenção de material de grau militar.
Segundo a agência, o regime opera várias instalações do tipo.
Neste mês, Grossi já havia dito que monitorava um novo edifício em Yongbyon com semelhanças a uma instalação em Kangson, outro importante centro nuclear próximo à capital.
Imagens de satélite de abril corroboram a avaliação da AIEA, informou na segunda-feira o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), dos Estados Unidos. Segundo o centro, as imagens indicam a conclusão de uma possível usina de enriquecimento de urânio capaz de produzir material de grau militar.
Grossi afirmou que a agência não identificou evidências de uso de tecnologia russa no programa nuclear norte-coreano. Referências a cooperação em um acordo assinado no ano passado entre os dois países parecem se limitar a projetos civis, embora ainda seja cedo para conclusões definitivas.
Ao comentar o programa da Coreia do Sul para desenvolver submarinos com propulsão nuclear, Grossi afirmou que convidou Seul a trabalhar em conjunto com a agência para evitar riscos de proliferação. Negociações formais sobre o tema devem ser iniciadas.
Segundo ele, reatores navais apresentam desafios específicos, já que o combustível nuclear pode ficar longos períodos sem inspeção durante missões. “É essencial que essa atividade não contribua para a proliferação de armas nucleares”, disse.
O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Hyun, afirmou em reunião com Grossi que o país atuará com transparência no projeto, dentro do Tratado de Não Proliferação, adotando o mais alto nível de salvaguardas.
As ambições sul-coreanas avançaram após o presidente Lee Jae Myung e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fecharem, em novembro passado, medidas conjuntas sobre comércio e segurança que incluem o aval de Washington ao plano de construção de submarinos com propulsão nuclear.




