O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (18) que o Irã não vai conseguir chantagear Washington após anúncio da República Islâmica de que voltou a fechar o estreito de Hormuz em meio ao cessar-fogo e às negociações para o fim da guerra.
“Estamos tendo boas conversas com o Irã, está dando muito certo. Agora eles estão fazendo essa graça, como têm feito nos últimos 47 anos, mas estamos falando com eles. Eles queriam fechar o estreito de novo, como têm feito por anos, e não vão conseguir nos chantagear. Teremos mais informação até o fim do dia”, afirmou Trump após assinar decretos não relacionados ao conflito, na Casa Branca.
A incerteza tanto sobre a via marítima quanto sobre o estado das negociações cresceu neste sábado com o anúncio iraniano.
A Guarda Revolucionária iraniana abordou e atirou em embarcações trafegando pelo estreito de Hormuz neste sábado (18), segundo relatos colhidos pela agência Reuters e a agência britânica de segurança marítima (UKMTO).
Um comboio de oito navios-tanque trafegavam na manhã de sábado no estreito, marcando a primeira movimentação significativa na via marítima desde o início da guerra dos EUA e Israel contra Teerã, há sete semanas.
As duas partes haviam dito nesta sexta (17) que o estreito tinha sido reaberto, ainda que restassem divergências entre os rivais. Fora o comentário de Trump, Washington ainda não se pronunciou sobre medidas a serem tomadas.
Segundo a agência Reuters, no entanto, citando pessoas do setor de segurança e frete marítimos, ao menos duas embarcações relataram terem sido alvo de tiros neste sábado ao tentar cruzar o estreito; a Marinha iraniana também teria informado navios, via rádio, que a via marítima estava novamente fechada.
Já a UKMTO relatou incidente em que um navio teria sido abordado por dois barcos da Guarda Revolucionária iraniana, que atiraram na embarcação abordada; ninguém teria sido ferido. Duas horas depois, outro relato de um navio de contêineres próximo a Omã indica que um projétil atingiu a embarcação e danificou uma parte da carga.
Em paralelo à inceteza sobre a reabertura de Hormuz, o Conselho Supremo de Segurança do Irã afirmou ter recebido “novas propostas” de negociação dos EUA e acrescentou que os negociadores iranianos “não farão concessões”.
“Nos últimos dias, durante a presença em Teerã do comandante do Exército paquistanês, atuando como mediador, os americanos apresentaram novas propostas. O Irã está analisando-as e ainda não respondeu”, afirmou o órgão, segundo a agência de notícias estatal IRNA.
Ainda há dúvidas sobre a realização de novas rodadas de negociações. Embora Trump tenha mencionado possíveis encontros, diplomatas apontam dificuldades logísticas para uma reunião em Islamabad, no Paquistão, onde as conversas são esperadas. Até a manhã de sábado, não havia sinais concretos de preparação para o encontro.
Autoridades paquistanesas que atuam como mediadoras indicam que um eventual entendimento inicial poderia abrir caminho para um acordo de paz mais amplo em até 60 dias.
Enquanto isso, em declaração em seu canal no Telegram, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a Marinha do país persa está pronta para infligir “novas derrotas amargas” aos inimigos.
Trump tinha afirmado na sexta que havia “boas notícias” em relação ao Irã e disse esperar avanços nas negociações ao longo do fim de semana, mas voltou a alertar que os combates poderiam ser retomados caso não houvesse acordo até a próxima quarta (22), quando expira o cessar-fogo.
“Talvez eu não estenda [a trégua], mas o bloqueio vai continuar. Então você tem um bloqueio e, infelizmente, teremos que voltar a lançar bombas”, afirmou.
Ainda na sexta, Trump disse que o Irã teria se comprometido a não mais fechar Hormuz e que “a situação acabou”. Segundo Trump, as minas colocadas pela teocracia no estreito “foram removidas ou estão sendo removidas” de forma conjunta pelos dois países, algo que Teerã não havia comentado antes de anunciar o novo fechamento da via marítima.




