A crise no Irã ainda não atingiu seu auge – 21/04/2026 – Mundo

A crise no Irã ainda não atingiu seu auge -


A “névoa da guerra” é um conceito bem conhecido. Os Estados Unidos e o Irã estão agora apresentando ao mundo um novo conceito: a “névoa da paz”.

Um cessar-fogo está em vigor no conflito entre os EUA, Israel e o Irã. Mas pouco mais além disso está claro. Esta semana começou com os americanos afirmando que novas negociações de paz estavam prestes a começar e os iranianos negando isso. O atual cessar-fogo durará além de quarta-feira? O Irã se ofereceu para interromper todo o enriquecimento nuclear? O estreito de Hormuz permanecerá fechado ou será reaberto?

Tudo depende de a quem você pergunta —e quando pergunta. Na sexta-feira (17), o presidente Donald Trump anunciou triunfalmente que “o Irã concordou em nunca mais fechar o estreito de Hormuz”. No dia seguinte, o Irã anunciou que estava fechando o estreito.

Olhando através da névoa da paz, eis minha melhor estimativa do que provavelmente acontecerá a seguir. A boa notícia é que tanto o Irã quanto os EUA querem um acordo de paz. Os iranianos sabem o quanto estão vulneráveis a novos bombardeios aéreos. Os americanos compreendem a ameaça que o fechamento contínuo do estreito representa para a economia global.

A má notícia é que os dois lados desconfiam um do outro e permanecem distantes em todas as questões cruciais. Entre elas estão o enriquecimento nuclear, a liberdade de navegação, o alívio das sanções, o futuro do Líbano e de Israel, o programa de mísseis do Irã e seu apoio a grupos regionais aliados, como o Hezbollah.

Em circunstâncias normais, resolver todas essas questões levaria meses —ou até anos. O acordo nuclear com o Irã (conhecido como JCPOA), assinado em 2015 —e posteriormente rescindido por Trump em 2018— levou cerca de três anos para ser finalizado.

No entanto, a economia mundial não pode esperar meses até que as negociações cheguem a bom termo. O fechamento contínuo do estreito de Hormuz continuará elevando os preços da energia. A escassez de combustível de aviação pode se fazer sentir em semanas. Agricultores em todo o mundo estão consternados com o aumento do preço dos fertilizantes —e isso logo se refletirá nos preços dos alimentos. O bloqueio americano ao Irã também aumentará a pressão econômica direta sobre a República Islâmica.

As questões-chave agora são: a crescente pressão econômica forçará os dois lados a chegar a um acordo em velocidade diplomática? Ou a dificuldade de diminuir a distância entre as posições do Irã e dos EUA levará ao colapso das negociações e a uma escalada do conflito?

Qualquer um dos resultados é possível —mas aposto na escalada. Se for isso memso, então o Oriente Médio e a economia mundial ainda não viram o pior desta crise.

A escalada é provável porque tanto os EUA quanto o Irã parecem acreditar que podem forçar o outro lado a ceder primeiro. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, voltou para casa após negociações fracassadas com os iranianos no Paquistão em 12 de abril com um ânimo otimista —dizendo a pessoas de confiança que o bloqueio dos EUA provavelmente forçaria os iranianos a ceder em poucos dias.

Mas, ao longo deste conflito, o governo Trump tem consistentemente superestimado a capacidade dos EUA de subjugar o Irã à sua vontade e subestimado a resiliência do regime iraniano. Esse padrão agora ameaça se repetir.

Os EUA podem já ter iniciado um novo ciclo de confrontos ao apreender um navio iraniano. Se os americanos intensificarem ainda mais a situação, por exemplo, cumprindo a ameaça do presidente Trump de “destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, então é muito mais provável que o Irã revide do que ceda. A retaliação iraniana poderia incluir ataques a refinarias de petróleo e plataformas offshore no Golfo —ou incentivar os rebeldes houthis no Iêmen a cumprir sua ameaça contra a navegação que passa pelo mar Vermelho.

Qualquer uma dessas medidas agravaria significativamente a crise energética global. Mesmo na situação atual, os iranianos sabem que o bloqueio do estreito terá efeitos cada vez mais graves sobre a economia mundial.

É provável que as próximas semanas, e talvez meses, testemunhem períodos de escalada, misturados com períodos de negociações —com os dois processos às vezes ocorrendo paralelamente— à medida que o Irã e os EUA testam a determinação um do outro. Algumas questões se mostrarão mais fáceis de resolver do que outras. O Irã provavelmente não está enriquecendo urânio no momento —portanto, poderia concordar com uma moratória indefinida em troca da aceitação americana de seu direito legal de enriquecimento.

A determinação de Teerã em impor algum tipo de sistema de pedágio no estreito de Hormuz pode se revelar o problema mais complexo de todos. Mas mesmo aqui, mentes diplomáticas criativas estão em ação. E se as receitas fossem divididas entre o Irã e Omã (ou até mesmo os EUA, como Trump sugeriu) —e depois disfarçadas como um fundo temporário de reconstrução pós-guerra?

Existem ainda outras “incógnitas conhecidas” que poderiam complicar as coisas. Quanta pressão econômica o Irã está sofrendo e quão dividido está o regime? As evidências parecem indicar que os linhas-duras estão ganhando influência em Teerã. Do lado americano, não está claro se, por trás de sua bravata, Trump realmente compreende a natureza limitada de suas opções militares. O papel de Israel também é imprevisível. O governo de Binyamin Netanyahu poderia provocar outra crise se não gostar do rumo das negociações?

Os mercados financeiros encerraram a semana passada em alta —aparentemente convencidos de que o pior da crise já passou. Essa suposição parece complacente.



Fonte CNN BRASIL

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