Japão elimina restrições à venda de equipamentos militares – 21/04/2026 – Mundo

Japão elimina restrições à venda de equipamentos militares - 21/04/2026


O Japão anunciou nesta terça-feira (21) a maior revisão de suas regras de exportação de defesa em décadas, ao eliminar restrições à venda de armamentos ao exterior e abrir caminho para a exportação de navios de guerra, mísseis e outros equipamentos militares.

A medida, destinada a fortalecer a base industrial do setor do Japão, representa mais um passo de afastamento das restrições pacifistas que moldaram sua política de segurança no pós-guerra. Ela ocorre em paralelo aos esforços para aprofundar laços com outros países da Ásia, a fim de contrabalançar a crescente influência regional da China.

As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio também estão pressionando a produção de armas dos Estados Unidos, ampliando oportunidades para o Japão. Ao mesmo tempo, aliados de Washington na Europa e na Ásia buscam diversificar fornecedores, diante da crescente incerteza sobre os compromissos de segurança americanos sob o presidente Donald Trump.

“Nenhum país pode, hoje, proteger sozinho sua própria paz e segurança, e são necessários parceiros que se apoiem mutuamente em termos de equipamentos de defesa”, disse a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em uma publicação na rede X.

Enquanto países como as Filipinas receberam positivamente a mudança, Pequim reagiu com preocupação.

“A China está profundamente preocupada com isso”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, em sua conversa diária com jornalistas, acrescentando que o país “permanecerá altamente vigilante e resistirá resolutamente a quaisquer ações imprudentes do Japão rumo a uma nova forma de militarismo”.

As relações entre Tóquio e Pequim atravessam um período de tensão desde que Takaichi afirmou, em novembro, que um eventual ataque chinês a Taiwan que ameaçasse a sobrevivência do Japão poderia desencadear uma resposta militar.

FILIPINAS, EUA E ALEMANHA RECEBEM BEM A MUDANÇA

A revisão elimina cinco categorias de exportação que limitavam a maioria das vendas militares a equipamentos de resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem. A partir de agora, ministros e autoridades passarão a avaliar o mérito de cada proposta de venda.

O Japão manterá três princípios de exportação — triagem rigorosa, controle sobre transferências a terceiros e proibição de vendas a países envolvidos em conflitos. Ainda assim, o governo indicou que exceções poderão ser feitas quando consideradas necessárias à segurança nacional.

Um dos primeiros acordos pode ser a exportação de navios de guerra para Manila, segundo autoridades japonesas e diplomatas estrangeiros ouvidos pela Reuters.

O secretário de Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro, afirmou que a mudança dará acesso a “equipamentos de defesa da mais alta qualidade”, o que deve “fortalecer a resiliência doméstica” e “contribuir para a estabilidade regional por meio da dissuasão”.

As Filipinas, junto com a cadeia de ilhas do sudoeste do Japão, integram o que estrategistas militares chamam de Primeira Cadeia de Ilhas, uma faixa que limita o acesso da China do litoral ao Pacífico Ocidental.

Manila e Tóquio assinaram um acordo em setembro que facilita a atuação de suas forças no território um do outro e, em janeiro, flexibilizaram regras para a troca de suprimentos militares.

O embaixador dos EUA no Japão, George Glass, classificou a mudança como um “passo histórico” para fortalecer a defesa coletiva. A embaixadora da Alemanha em Tóquio, Petra Sigmund, afirmou que a decisão abre espaço para maior cooperação “com o objetivo de ampliar a estabilidade global”.

JAPÃO TAMBÉM REFORÇA SEU PRÓPRIO ARSENAL

Tóquio espera que as exportações de defesa ajudarão a fortalecer sua base industrial ao aumentar volumes de produção, reduzir custos por unidade e ampliar a capacidade de fabricação.

Empresas como a Mitsubishi Heavy Industries podem construir sistemas avançados, incluindo submarinos, caças e mísseis, mas por décadas dependeram de encomendas pequenas de um único cliente: as Forças de Autodefesa do Japão.

O Japão está avançando com esforços sem precedentes para fortalecer seu próprio poder militar — adquirindo mísseis, aeronaves furtivas e drones que, segundo o governo, são necessários para dissuadir qualquer ameaça representada pela China, inclusive nas áreas próximas às suas ilhas situadas perto de Taiwan .

Pequim afirma que suas intenções no Leste Asiático e em outras regiões são pacíficas.

Tóquio também está desenvolvendo um caça de próxima geração com o Reino Unido e a Itália, com previsão de entrada em operação em meados da década de 2030. O projeto faz parte de uma estratégia para dividir custos e ampliar o acesso a novas tecnologias.

Nos últimos anos, o país elevou gradualmente seus gastos com defesa até o equivalente a 2% do PIB. O governo Takaichi deve anunciar novos aumentos ainda neste ano, quando divulgar uma nova estratégia de segurança.



Fonte CNN BRASIL

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