O chefe da Comissão Eleitoral do Peru, Piero Corvetto, renunciou, nesta terça-feira (21), em meio à crescente pressão sobre os resultados, que estão atrasados, das eleições gerais de 12 de abril no país.
Corvetto, que compartilhou sua carta de renúncia no X, já havia reconhecido atrasos logísticos no processo eleitoral, mas negou que quaisquer irregularidades tenham ocorrido.
A demora na contagem oficial gerou alegações de fraude por parte de vários candidatos e pedidos de substituição de Corvetto por líderes empresariais e parlamentares. Observadores eleitorais da União Europeia afirmaram na semana passada não terem encontrado evidências de fraude.
Na segunda-feira (20) as autoridades eleitorais do Peru começaram a revisar milhares de cédulas contestadas devido a inconsistências, informações faltantes ou erros nas folhas de apuração.
Isso atrasou ainda mais a divulgação dos resultados finais, sem que um adversário claro tenha surgido para enfrentar a candidata conservadora Keiko Fujimori no segundo turno, em junho.
O resultado final da eleição presidencial será conhecido até 15 de maio, segundo o principal órgão eleitoral do Peru, o Júri Nacional Eleitoral (JNE).
A contagem oficial dos votos praticamente não avançou desde sexta-feira (17). Com quase 94% das cédulas apuradas, Fujimori tinha cerca de 17% dos votos, de acordo com o JNE.
O deputado de esquerda Roberto Sánchez e o ultraconservador Rafael Lopez Aliaga permaneceram em uma disputa acirrada pelo segundo lugar, com 12% e 11,9% dos votos, respectivamente —uma margem de aproximadamente 14.000 votos que continua a oscilar.
Já no domingo (19), duas das principais empresas do ramo no Peru fizeram projeções a partir da contagem oficial —o Ipsos colocou Sánchez numericamente em segundo, mas tecnicamente empatado com Aliaga e Jorge Nieto; a Datum estimou Aliaga em segundo, também empatado com Nieto, e Sánchez somente em quinto lugar.
O ultradireitista havia começado na frente de Sánchez, mas foi ultrapassado assim que começaram a chegar os votos de zonas rurais e andinas, normalmente mais difíceis de serem contabilizados pelas dificuldades de acesso a essas áreas.
A diferença apertada entre os candidatos já seria motivo suficiente para causar tensão entre os eleitores, mas o pleito teve mais um fator desestabilizador.
O número de votos que separa Sánchez e Aliaga é muito inferior às mais de 50 mil pessoas afetadas pelo caos na jornada eleitoral do dia 12 de maio devido a um problema logístico.




