Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias – 22/04/2026 – Mundo

Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias -


O governo de Javier Milei enviou ao Congresso da Argentina, nesta quarta-feira (22), um projeto de reforma eleitoral para acabar com as eleições primárias e instituir um mecanismo correspondente à Ficha Limpa brasileira, conforme havia prometido na véspera.

Em um comunicado oficial, a Casa Rosada afirmou que o texto pretende “corrigir um sistema que é fundamentalmente falho, para que a política custe menos, seja mais transparente e represente aqueles que afirma representar”.

“O sistema eleitoral argentino tem um problema fundamental: é caro, opaco, incentiva o financiamento de campanhas por meios ilícitos e subsidia de forma insensata a liderança política. É um sistema feito sob medida para que os políticos se protejam”, diz o comunicado de Milei, voltando-se contra o principal alvo do político em sua ascensão: a “casta política”. “Chegou a hora de devolver o poder ao povo argentino para que a política volte a servi-lo.”

Um dos pontos mais importantes do texto é a eliminação das Paso (acrônimo de “Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias”), como são chamadas as eleições primárias da Argentina. O mecanismo é uma herança do primeiro mandato de Cristina Kirchner implementada pela primeira vez em 2011.

É a quarta vez que Milei tenta se livrar das primárias —a última foi no ano passado. A falta de apoio no Congresso, no entanto, obrigou o governo a se contentar com uma suspensão temporária.

Espécie de versão das primárias americanas, as Paso têm como objetivo diminuir o número de candidaturas e incluir a população nos debates internos das siglas —ou, a depender do ponto de vista, terceirizar a resolução desses conflitos.

Nesta quarta, a Presidência chamou as primárias de “uma experiência fracassada que tentou promover a falsa dicotomia das ‘primárias abertas'”. “Os argentinos não deveriam ter que pagar pelas diferenças internas entre políticos”, completou o comunicado.

Até agora, a resistência até mesmo de partidos aliados de Milei impediu o governo de aprovar a eliminação do mecanismo em outras ocasiões. Além da dificuldade das siglas em resolver disputas internas, há temores de que o governo esteja tentando neutralizar a oposição, que pode acabar apresentando vários candidatos à Presidência, dividindo votos.

O pedágio que o governo precisou pagar para incluir a proposta no documento, que vem sendo negociado há semanas com o Legislativo, foi a Ficha Limpa, um projeto que o partido Proposta Republicana, fundado pelo ex-presidente Mauricio Macri, tenta engatar há anos.

A lei, inspirada na lei brasileira, determina que “pessoas condenadas por crime doloso” não possam se candidatar a “cargos públicos eletivos nacionais”, nem “nomeadas para cargos partidários”. “Não é uma ideia radical: é o mínimo de decência que se espera de uma democracia. E é coerente: se alguém não pode ser candidato, também não pode ser um funcionário público”, afirmou a Casa Rosada nesta quarta.

O projeto ainda endurece os requisitos para formar e sustentar um partido político, aumenta o limite máximo de contribuição de uma pessoa física ou jurídica em uma campanha e acaba com o financiamento público de propaganda partidária. A proposta, alinhada com a ideologia ultraliberal do presidente, pode desequilibrar a disputa e favorecer partidos maiores, segundo críticos.

A proposta ocorre no momento em que uma série de escândalos respinga em Milei. Um deles diz respeito a arquivos encontrados no celular de um empresário que sugerem um envolvimento maior do presidente argentino no golpe do criptoativo $Libra. O segundo é uma investigação sobre o suposto enriquecimento ilícito de seu chefe de gabinete, Manuel Adorni, que assina a proposta desta quarta.

Milei tem razões para estar confiante, no entanto. Desde o final de 2025, dois meses após as eleições legislativas de meio de mandato da Argentina, a sigla do ultraliberal, A Liberdade Avança, tem quase 40% das cadeiras da Câmara (mais do que o dobro do número de deputados na Legislatura anterior) e 21 dos 72 senadores (o triplo da quantidade de políticos da legenda na Casa até então).

Tal configuração permitiu que o governo aprovasse iniciativas caras ao projeto político de Milei, como a reforma trabalhista que permite jornadas de até 12 horas e um novo regime criminal que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos. A estratégia, desta vez, foi enviar o documento primeiramente para o senado, onde o governo crê ter mais força.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias -

Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias – 22/04/2026 – Mundo

abril 23, 2026

177690395069e9670e69759_1776903950_3x2_rt.jpg

Diretor do FBI sofre processo de fritura e ataca imprensa – 22/04/2026 – Mundo

abril 23, 2026

naom_69e71ad012798.webp.webp

Fórmula 1 tem acordo para melhorar regras; saiba o que vai mudar

abril 23, 2026

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no Exército

abril 23, 2026

Veja também

Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias -

Milei envia ao Senado reforma que acaba com primárias – 22/04/2026 – Mundo

abril 23, 2026

177690395069e9670e69759_1776903950_3x2_rt.jpg

Diretor do FBI sofre processo de fritura e ataca imprensa – 22/04/2026 – Mundo

abril 23, 2026

naom_69e71ad012798.webp.webp

Fórmula 1 tem acordo para melhorar regras; saiba o que vai mudar

abril 23, 2026

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no

STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no Exército

abril 23, 2026