Os Estados Unidos sediarão uma segunda reunião entre enviados do Líbano e de Israel nesta quinta-feira (23), com Beirute buscando a extensão de um cessar-fogo entre Tel Aviv e o Hezbollah.
O encontro ocorre um dia após ataques israelenses contra o país vizinho matarem pelo menos cinco pessoas. A quarta-feira (22) foi o dia mais mortal no Líbano desde que a trégua entrou em vigor em 16 de abril. Entre os mortos na ofensiva de Tel Aviv está a jornalista libanesa Amal Khalil, segundo autoridades libanesas e o jornal Al-Akhbar, onde trabalhava.
O cessar-fogo mediado pelos EUA, que deve expirar no domingo, resultou em uma redução significativa da violência, mas os ataques continuaram no sul do Líbano, onde tropas israelenses permanecem posicionadas em uma faixa de território libanês de 5 a 10 km ao longo de toda a fronteira.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirma ter “direito de resistir” às forças de ocupação. Já o Exército israelense reiterou um aviso aos moradores do sul do Líbano para não entrarem na área.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que a enviada de Beirute para as negociações desta quinta buscará a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul. O país está sendo representado pela embaixadora libanesa nos EUA, Nada Moawad.
Aoun citou a morte de Khalil e afirmou que o “ataque deliberado e recorrente” de Israel contra jornalistas tem como objetivo “ocultar a verdade sobre seus atos agressivos contra o Líbano”.
Hassan Fadlallah, parlamentar do Hezbollah, disse a jornalistas que cumprir a trégua implica “interromper assassinatos, cessar completamente os ataques e parar a destruição de vilarejos”. Segundo ele, a retirada israelense deve ocorrer por meio de medidas conduzidas pelo Estado libanês, sem negociações diretas.
Um funcionário libanês disse que o país quer primeiro estender o cessar-fogo para então avançar nas negociações, incluindo a retirada de Israel, a libertação de libaneses detidos e a definição da fronteira terrestre.
Tel Aviv afirma que seus objetivos nas negociações com o Líbano incluem garantir o desmantelamento do Hezbollah e criar condições para um acordo de paz. Israel tem buscado alinhar-se ao governo libanês em relação ao Hezbollah, que Beirute tenta desarmar pacificamente há um ano.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve participar da reunião desta quinta. Israel será representado por seu embaixador em Washington, Yechiel Leiter. Rubio sediou o primeiro encontro entre Leiter e Moawad em 14 de abril —o contato de mais alto nível entre Líbano e Israel em décadas.
Washington nega ligação entre a mediação no Líbano e as negociações sobre a guerra com o Irã. Já o Hezbollah diz que a trégua é resultado da pressão iraniana, e não da atuação americana.
O Líbano foi arrastado para a guerra após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa foi atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, desencadeando um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.
O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha defendido a inclusão do país em uma trégua mais ampla.
Na quarta, o Hezbollah disse ter realizado quatro operações no sul do Líbano em resposta aos ataques israelenses. Quase 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel iniciou sua ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo autoridades libanesas.




