O homem acusado de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma selfie em seu quarto de hotel momentos antes de invadir a área de segurança com uma espingarda, informaram os promotores nesta quarta-feira (29).
Cole Tomas Allen, 31, tentou invadir o local onde estava o presidente na noite de sábado (25). Ele desceu de seu quarto no hotel Hilton de Washington e correu em direção ao salão de festas do subsolo, onde Trump e outras autoridades participavam de um jantar de gala para a imprensa, segundo os promotores.
O homem foi derrubado e detido em uma confusão caótica com os seguranças. Tiros foram disparados, mas ninguém morreu. De acordo com os promotores, Allen passou seus últimos minutos verificando sites que informavam sobre o paradeiro de Trump, armando-se e posando para uma selfie tirada com um celular no espelho de seu quarto.
Na foto, Allen aparece vestido de preto, com uma gravata vermelha, e carregando uma faca, um coldre de ombro para uma arma e o que as autoridades disseram ser uma bolsa para munição. Ao sair do quarto, emails programados foram enviados a amigos e familiares com um manifesto explicando suas ações.
Os detalhes dos supostos preparativos de Allen para o que os promotores chamaram de um ataque de “malícia insondável” vieram à tona em um documento solicitando a um tribunal federal de Washington que negasse fiança. “O tribunal deve manter o réu detido até o julgamento”, diz o documento. “A natureza política dos crimes do réu reforça ainda mais a necessidade de detenção, pois a motivação do réu para cometer os crimes persiste enquanto ele discordar” do governo.
Allen é um professor altamente qualificado da Califórnia. Os promotores afirmam que ele fez a viagem até Washington —carregando um arsenal que incluía a espingarda, uma pistola e várias facas— por uma rota ferroviária famosa por suas paisagens, passando por Chicago.
Ao longo do caminho, segundo o documento, Allen registrou seu apreço pelas paisagens em constante mudança, por exemplo, escrevendo em seu celular que as florestas da Pensilvânia se assemelhavam a “vastas terras encantadas repletas de pequenos riachos murmurantes”.
Uma vez em seu quarto no Hilton, ele escreveu sobre sua surpresa com o que considerou ser a segurança negligente no hotel, dizendo que havia entrado “com várias armas e nem uma única pessoa ali considerou a possibilidade de que eu pudesse ser uma ameaça”.
No email enviado a amigos e familiares, ele teria listado seus alvos como membros do governo Trump, “priorizados do mais alto ao mais baixo escalão”. Ele disse que esperava não matar os guarda-costas do Serviço Secreto, outros agentes da lei ou hóspedes do hotel.
De acordo com o processo judicial, Cole se livrou de seu casaco comprido assim que chegou à área de entrada do hotel e correu por um conjunto de detectores de metal, com sua espingarda.
Cole teria disparado “na direção das escadas que levavam ao salão de baile”. Um agente do Serviço Secreto então disparou cinco vezes, mas não acertou Cole, que caiu e foi imobilizado. “O réu sofreu um ferimento leve no joelho, mas não foi baleado”, diz o processo.



