Após uma nova disparada dos preços do petróleo e o aumento do risco de interrupções prolongadas no fornecimento mundial da commodity, os Estados Unidos tentam novamente formar uma coalizão internacional com o objetivo de reabrir o estreito de Hormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. A informação consta de um documento do Departamento de Estado obtido pela agência Reuters.
Dois meses após o início da guerra contra o Irã, permanece fechado o estreito por onde passava um quinto do petróleo comercializado no mundo. O impacto nos mercados globais é significativo. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o preço do petróleo Brent, referência mundial, mais do que dobrou, fato que pressiona a inflação e aumenta os preços dos combustíveis em vários países do mundo.
Nesse contexto, o presidente Donald Trump deverá receber relatório sobre possíveis novos ataques contra o Irã, no que seriam tentativas de pressionar o regime a adotar posição mais flexível nas negociações.
Entre os planos em discussão está a possibilidade de as forças americanas assumirem o controle de parte do estreito de Hormuz para garantir a passagem de navios comerciais. Essa operação poderia envolver, inclusive, tropas terrestres. Paralelamente, o Departamento de Estado americano propõe a criação de uma coalizão chamada Construção da Liberdade Marítima voltada a assegurar a navegação na região e estabelecer uma nova arquitetura de segurança marítima no pós-conflito.
Países como França e Reino Unido já discutiram a possibilidade de participar da iniciativa, mas indicaram que só estariam dispostos a atuar após o fim das hostilidades. A tarefa para o governo americano, aliás, não será fácil. Nos últimos dias, Trump vem criticando países aliados dos EUA devido à falta de apoio incisivo na guerra contra o Irã —Paris e Londres, por exemplo, manifestaram-se de forma contrária aos ataques americanos e descartaram operações para desbloquear o estreito durante a guerra.
Os EUA não divulgaram detalhes da coalizão marítima. Segundo a agência AFP, porém, Trump planeja manter o bloqueio naval contra portos iranianos por vários meses para pressionar a economia de Teerã.
E como tem sido praxe durante o conflito, o líder republicano voltou a provocar o regime do Irã. Nas redes, o líder republicano republicou uma imagem do Estreito de Ormuz renomeado para “Estreito de Trump”.
Ao mesmo tempo, o regime iraniano alerta para uma possível “ação militar sem precedentes” caso o bloqueio americano a embarcações ligadas ao país continue. Na quarta-feira (29), com as tensões altas, o barril do Brent ultrapassou os US$ 112 e atingiu o maior valor em três semanas.
Nos bastidores, ainda segundo a Reuters, o Paquistão tenta mediar uma saída negociada que evite nova escalada. Segundo uma autoridade paquistanesa mencionada pela agência, as partes continuam trocando mensagens sobre um possível acordo. O Irã propôs adiar as discussões sobre seu programa nuclear até o fim do conflito e a normalização da navegação. A proposta, entretanto, por ora é rejeitada por Trump, que insiste em tratar do enriquecimento do urânio iraniano desde o início das negociações.
Teerã diz que busca o reconhecimento do direito de enriquecer urânio para fins civis e afirma que seu programa tem objetivos pacíficos. O país possui atualmente cerca de 440 km de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para armamento nuclear.
Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, o impasse continua. O Irã mantém o bloqueio do estreito em resposta a uma ação naval americana que restringe suas exportações de petróleo.
E o custo da guerra também cresce. Segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, os gastos militares dos EUA já somam US$ 25 bilhões (R$ 125 bilhões), o que representa 13% de quase tudo o que Washington destinou a Kiev desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Ainda nesta quarta, o regime do Irã disse que qualquer ataque dos EUA contra o país levará a “ataques longos e dolorosos” contra posições americanas na região. “Vimos o que aconteceu com suas bases regionais, veremos o mesmo acontecer com seus navios de guerra”, afirmou o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, segundo a agência Student News Network.
Já o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, escreveu em mensagem que os EUA sofreram uma derrota vergonhosa na guerra.




