O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (11) que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”, após rejeitar a contraproposta do Irã para encerrar a guerra. O republicano também afirmou que avalia retomar as escoltas navais no estreito de Hormuz, mas que ainda não havia tomado uma decisão.
Em meio à crescente pressão interna pelo impacto do conflito sobre a economia americana, Trump declarou que a trégua vigente desde 8 de abril está por um fio e comparou a situação à de um paciente em estado terminal.
“É como quando o médico entra e diz: ‘Senhor, seu ente querido tem exatamente 1% de chance de sobreviver’”, afirmou a jornalistas na Casa Branca. No domingo (10), Trump rejeitou a contraproposta iraniana e classificou o documento como “totalmente inaceitável”.
Apesar do impasse, Trump negou estar sob pressão e prometeu “uma vitória total” sobre o Irã. Questionado sobre a possibilidade de novas negociações, afirmou que a liderança iraniana está dividida entre “moderados” e “loucos”. “Os loucos querem lutar até o fim”, declarou, acrescentando que “será uma luta muito rápida”.
À Fox News, Trump também disse que avalia retomar a escolta naval de petroleiros em Hormuz. A iniciativa, chamada Projeto Liberdade, foi lançada em 6 de maio, mas suspensa menos de dois dias depois após o agravamento das tensões na região.
A escalada reduziu as expectativas de um acordo rápido para reabrir plenamente o estreito de Hormuz ao comércio internacional.
O presidente-executivo da petrolífera saudita Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou nesta segunda que a guerra no Oriente Médio provocou “o maior choque energético já experimentado pelo mundo”.
“Ainda que o estreito de Hormuz reabrisse hoje mesmo, seriam necessários meses para que o mercado se reequilibrasse. E, se sua reabertura fosse adiada por mais algumas semanas, o retorno à normalidade poderia se estender até 2027”, disse Nasser durante uma conferência com investidores.
Teerã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.
No domingo, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que a guerra não terminará até que as instalações nucleares iranianas sejam destruídas.
O tema deve dominar a agenda internacional de Trump durante sua viagem à China nesta semana, segundo um funcionário do governo americano.
Enquanto isso, cresce a preocupação internacional com o estreito de Hormuz, por onde antes da guerra passavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos mundialmente. O Irã restringiu o tráfego marítimo na região e estabeleceu um sistema de cobrança para navios que cruzam a passagem, enquanto a Marinha americana mantém o bloqueio aos portos iranianos.
A crise também elevou os alertas humanitários. O diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Jorge Moreira da Silva, afirmou à AFP que a interrupção do transporte de fertilizantes pelo estreito pode desencadear uma crise alimentar global.




