O presidente Donald Trump afirmou no domingo (10) que os juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos devem ser leais ao decidir sobre seu decreto que proíbe a cidadania por nascimento.
A declaração foi feita em uma postagem na rede Truth Social, plataforma criada por Trump. Ele citou dois juízes que nomeou durante seu primeiro mandato: Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett.
“Eles têm o dever de fazer a coisa certa, mas é realmente OK que sejam leais à pessoa que os nomeou”, escreveu Trump.
Seis juízes da Suprema Corte de um total de nove são conservadores. Durante seu primeiro mandato, Trump indicou os juízes Gorsuch, Barrett e Brett Kavanaugh.
No primeiro dia de seu segundo mandato, Trump assinou um decreto impedindo que filhos de imigrantes em situação irregular ou pessoas com vistos temporários nos Estados Unidos se tornassem cidadãos do país.
Tribunais inferiores bloquearam a medida com base na 14ª Emenda, que garante a cidadania americana por nascimento a qualquer pessoa. A maioria dos juristas americanos entende que o decreto é inconstitucional, uma vez que o texto da Constituição é claro: “Todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãs dos Estados Unidos”.
No mês passado, Trump compareceu pessoalmente à audiência da Suprema Corte na ação contra o decreto. De acordo com a imprensa americana, nenhum presidente em exercício jamais participou desta fase de um processo no tribunal.
Para organizações como a Lulac (Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos), que entraram na Justiça contra o decreto, a medida poderia “prejudicar dezenas de milhares de crianças nascidas todos os meses e lançar dúvidas sobre a cidadania de milhões de outras”.
Segundo uma nota divulgada pela organização, ao negar a cidadania a crianças nascidas nos EUA, isso “criaria uma subclasse permanente de pessoas nascidas neste país privadas de plenos direitos como americanos, representando um ataque direto às famílias, à igualdade e ao Estado de Direito”.
Na postagem feira no domingo, o presidente americano afirmou que a Justiça “vai decidir contra nós sobre o direito à cidadania por nascimento, fazendo dos Estados Unidos o único país do mundo que pratica esse desastre insustentável, inseguro e incrivelmente caro”.
Na mesma publicação, Trump também atacou a decisão da Suprema Corte em fevereiro sobre o tarifaço, que considerou excessiva a taxação generalizada imposta por seu governo.
“Foram nomeados por mim e, mesmo assim, prejudicaram tanto o nosso país”, acrescentou o republicano. Trump afirmou que a decisão custou US$ 159 bilhões aos Estados Unidos.
No mês passado, o governo americano lançou uma ferramenta para reembolsar mais de US$ 166 bilhões em receitas das tarifas de Trump.




